quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A janela

   Um desses dias aí atrás, parei à tua frente e num estalo de razão procurei buscar sentido em sua existência. Teu nome da significado a uma série de  parafernálias úteis e inúteis que conheço. Tua boca aberta transpõe ar e luz, fechada sufoco e breu. Um rasgo por onde se percebe o horizonte estático. Quando existe em palavras é sempre a que falta e se deve escrever. Quando em velocidade anda, tua forma é variável e moldada numa paisagem móvel. Quando moderna: mulher fácil, do tipo que disponibiliza qualquer programa, se sujeita aos comandos do seu usuário.
Guilhotina com duas partes constantes: uma interna e uma externa. Sobe e desce, corre para direita e para a esquerda, vai para dentro ou para fora, tudo para se abrir ou fechar. Se és sacada tens flores e se abre no rés do pavimento. Se estas aberta trás o ar, se fechada proteção.
Não te basta apenas ser buraco para o vento e onde a luz goteja no breu. Tens que permitir olhar o céu, o sol e toda beleza que sua limitação permite. As vezes acho que tudo foi construído a sua volta. Até porque você traz para dentro aquilo que devia ter ficado fora.
Nos barracos é humilde, nos casebres também. Em mansões é talhada, em palácios é arte. Mas a luz que pinga através de tuas arestas vem do mesmo sol. Não existe um sol para cada um. O que existe são tantos uns para um único sol e tu é quem entrega, pedaços desse sol, para quem está dentro. Traz vigor às paredes que te aparecem, e, memória às vidas que te conhecem. Quando não és suficiente, ninguém hesita em criar mais. Tu me liga ao meu jardim, porém me deixa no meio do caminho entre a liberdade e a prisão. Já que aberta é só luz, fechada solidão. Na fuga é escape, no calor ventilação. No frio aquecimento, e quando há céu constelação … na alma a mais bela, na minha casa é só janela.


Eli Negreiros

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Carta para a ausência

Querida Ausência,

     Já observou que, quando os nossos desejos não se realizam, as frustrações são certas. E, se nossa expectativa está toda depositada em tais desejos, tudo fica ainda pior. Esperar por algo é bom e fica ainda melhor quando se concretiza. Caso contrario, não é bom. Vivo na espera de um dia poder te sufocar com presenças. Resolvi imitar o vento. Anseio pelo dia que encontrarei ao menos uma presença. Tantas palavras serão ditas e outras tantas silenciadas. Estou aprendendo a esperar. É tanto desejo guardado...
     Acredito que os mesmos ventos que levam embora, também trazem de volta. Apenas permito que o vento siga o seu curso. Espero. Entendo que nem tudo acontece como planejamos. Temos que ser flexíveis, só assim aproveitaremos o trajeto de forma mais tranquila e quando chegar ao final, teremos percebido tudo que compensou.
     Sabe ausência, às vezes penso em todas as estações da vida, em todo o caminho que percorri, em todos os medos. Penso nas pessoas que me sufocaram, naquelas que fazem falta e naquelas que não fazem falta alguma. Penso nas coisas miúdas e fantasiosas, nos outros e em mim. Engraçado como tudo isso vira ausência. Isso mesmo, todos nós, aos poucos vamos nos tornando ausência. Hoje lembro dos meus sonhos e vejo que a maioria já ficou para trás. Chegaram a esse ponto, justamente porque existiam expectativas demais. E quem espera demais, tem mais risco de se decepcionar. Devemos fundamentar nossos sonhos na realidade. Amar, já se tornou sinônimo de coragem. Aqueles que ainda se mantem presente em minha vida são corajosos. Insistem em me amar por coragem e ainda mantém um fio de esperança num amanhã onde eu estou incluído. Aqueles que preferiram a distância não souberam me aceitar como sou. Temos medo de acabar apenas com a nossa companhia. Embora que, seja isso que acaba acontecendo com todo mundo. Não adianta, podemos ter milhões de amigos hoje. Desses milhões, sobrarão poucos que serão presença e desses poucos, todos passarão. O tempo vai nos moldando.
     As pessoas não estão preparadas para nos corresponder. O mundo não está preparado para ser feliz. Temos uma facilidade maior em sermos tristes. Ser feliz, talvez implique em presenças. É difícil ser feliz na solidão. É possível, mas é mais difícil. Vamos criando reticências onde teríamos que colocar um ponto final. Penso muito nas minhas escolhas. Vejo o quanto delas eu tomei por mim mesmo, sem que houvesse intervenção alheia. Foram poucas. Quantas desculpas eu criei para divergir comigo mesmo, para silenciar minha dor. A verdade e o tempo são meus.
     Faz parte da coisa quando se faz parte da família. Se não faço mais parte da coisa é porque não faço mais parte da família. Corremos o risco do inesperado. Somos limitados. Fazemos parte de um jogo de interesses. Já não sei mais onde me sinto seguro. Inventei tanta coisa e proibi outras tantas. Carregava uma malinha cheia de expectativas e hoje já me desfiz dela. Hoje não falo mais de expectativas. Não espero nada de ninguém. Parei com aquele velho costume de inventar meios para manter presenças. Não aumento mais a bagagem da minha malinha de expectativas. Algumas 'peças' fundamentais da minha vida se tornaram 'cacos' que não se encaixam mais em nenhum quebra cabeça do presente. Deixei tudo para trás. Liberei um espaço grande na vida. Resolvi abrir mão de muita gente, e, sem pagar o mal com o mal, dou importância somente a quem demostra reciprocidade. Faço isso calmamente como tem que ser. Entendi que expectativas geram frustrações quando depositadas sobre ombros despreparados. Não é fácil construir vontades, justamente porque exige tempo e calma. Sabe ausência, sei que ainda tenho muito a oferecer. Sei que somente a minha presença não me basta. Mesmo sem expectativas, e com medo, ainda falo de amor. Com a leveza de uma agora vivido sem pressa nenhuma e com a certeza de que no fundo, só quero um lugar para voltar.

Teu amigo

Eli Negreiros

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Enquete VII Alegrai-vos

Olá Gincaneiros,

     A enquete já está valendo. É só escolher a sua equipe de competição ou de torcida e votar. As equipes que não se manifestaram poderão participar posteriormente, sem que haja contestação com relação às equipes que já estão participando da votação. A forma de pontuação nessa prova será anunciada no dia da Gincana. A votação segue até o dia 18 de setembro de 2013, até as 23h50min. A participação da equipe na enquete não justifica a participação na gincana. É necessário o preenchimento e entrega da ficha de inscrição, juntamente com a taxa. Ambos descritos no regulamento, que está disponível no grupo da gincana no facebook. Boa sorte e votem muito.

Eli Negreiros

domingo, 28 de julho de 2013

VII Alegrai-vos

    Deus seja louvado!
     Para a felicidade geral da nação, para que as lágrimas sessem e os dias se arrastem em ansiedade. Para   que os mistérios se resolvam, as perguntas encontrem respostas ou não. Para que as famílias retornem ao lar e os amigos confraternizem no amor e diversão, anunciamos a abertura das inscrições para o VII ALEGRAI-VOS.
     As inscrições irão do dia 28/07/2013 até o dia 07/09/2013. E não adianta chorar, o prazo é esse e ponto. As fichas estarão dispostas no grupo da gincana no facebook. É só imprimir.
     O número mínimo de participantes por equipe é de 15 pessoas e o máximo de 25 pessoas. O preço da inscrição por equipe é de R$ 70,00 (setenta reais). Independente do número de participantes.
     O VII ALEGRAI-VOS será no dia 22/09/2013. Alimentaremos o básico da nossa capacidade, mas com os pés ainda fincados na criatividade. Reformulamos tudo, somente para chegar até aqui. Então… O tempo é mínimo, juntem todos e sejam felizes.
     As fichas preenchidas terão que ser repassadas, impressas, para a organização da gincana.
     Ajudem-nos a divulgar o evento. Se já tem uma equipe, procure-a. Se não, monte uma. E nos dois casos, motive mais pessoas a participarem.
     Assim que o regulamento ficar pronto anunciaremos por aqui.
     Qualquer dúvida é só perguntar. Ah! Obter resposta? Bom aí já são outros 500. Afinal de contas, gostamos de preparar surpresas.
     Fique por dentro de tudo que acontece: http://elivalter.blogspot.com/ Facebook: http://facebook.com/Eli.Negreiros.5 e no grupo da Gincana no face.
     “Democracia é dar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, isso depende de cada um”. (Mario Quintana)
    Contamos com as tradicionais equipes e com as novas que se formarão. Não deixe de participar.
     Que a alegria do Senhor seja a vossa motivação e força.
    Alegria! Alegria!

“Subo ao altar de Deus que é a alegria da minha juventude” Toca de Assis
Atenciosamente
Eli Negreiros

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Carta para mim mesmo V

   
Querido menino,

     Sei que nesses últimos dias que passou, tu viveste angustiado, por conta de algumas coisas e pessoas. Por isso, resolvi mais uma vez, te alertar sobre algumas coisas. Tudo que se passou foi totalmente previsível. Um pouco mais de tempo atrás, já tinha te alertado sobre algumas situações. Nada foi uma surpresa. Já tinha te falado sobre aquilo que vale, e aquilo que não vale a pena. Pois é. Para te lembrar mais uma vez, vamos vestir de palavras alguns quês e porquês. Teve um dia que você decidiu não esperar mais nada de ninguém. Não que essa decisão fosse tomada de um dia para a noite. Levou um tempo. E talvez a culpa nem foi tão sua assim. Chega uma hora que a gente cansa, entende? Chegamos a um ponto em que simplesmente paramos de acreditar. Em coisas e pessoas. Não tenha isso como uma visão derrotista ou de pessimismo. É que a realidade bateu forte na sua cara. Parou de acreditar numa serie de mentiras. Um belo dia você começou a ver as coisas como elas são. Isso é lógica. Talvez o problema estava no seu esquecimento de como as coisas são de verdade. A sua memória estava alienada e só via o lado bom, doce. Mas, não é bem assim. Existe um outro lado também. Lágrimas, tropeços, mágoas, percalços, defeitos... Tudo isso existe. E bobo é quem não encara isso como realidade e de frente. Eu resolvi lutar, encarar. Isso é viver na realidade. Seres humanos sempre querem ter razão. Você mesmo é assim. Mas, nem sempre temos. E as pessoas não são sempre açúcar. E nem devem ser. A memória nos engana toda hora. E você é o tipo de pessoa, que os outros sempre vão lembrar da parte amargosa. Já te falei que as pessoas acreditam na verdade quando a verdade lhe convém. Caso contrário, verdades serão sempre mentiras. E pessoas verdadeiras sempre serão vistas como algozes.
     Um dia tu resolveu não ter mais expectativas. Chegou uma hora que cansou dessa lenga lenga. Esperar as pessoas doeu muito. Agora, o que eu acho bom mesmo, é não esperar mais nada e de ninguém. Porque não agiu assim desde o princípio? Quanto tempo perdido. Quanta coisa não vivida. Planos deixados para o lado. Aquela história de que sonhar junto é melhor procede, sim é verdade. Porém, independe menos de quantidade e mais de qualidade. Algumas pessoas são dispensáveis. E, me arrisco em dizer que a maioria é. Outras pessoas são necessárias. Geralmente estão dentro da família. Os melhores amigos, são os de casa mesmo. Se não é capaz de te entender e aceitar, não merece tanto ibope assim. Conte apenas contigo mesmo. Com suas forças e fraquezas. Sua capacidade e suas limitações. O que vier será acréscimo e menos frustante se não esperar tanto. Pessoas vem e vão. Não se importe se amanhã ou depois, você mude de ideia. Normal. És quem és. Do início ao fim.
     Não se importe se vão te entender ou não. Talvez não queiram. Por falta de vontade, noção, humildade ou tempo. Somos todos, primeiramente, individualistas. Fato. Embora que as palavras sejam sempre 'nós', o 'eu' sempre será prioridade. Se estou bem, então está tudo bem. Assim que funciona. O que aparece além disso, já me soa como publicidade de si mesmo. Sempre foste daqueles que se doa. Tinha expectativas. Quem não tem? Hoje ainda tem as mesmas expectativas. Porém, menos intensas e de menos, bem menos pessoas. Não pode lutar contra isso, é algo que já veio com você do berço. A diferença é que agora resolveu aceitar. Não espere que os outros tomem as mesmas atitudes que você. Isso é frustração certa. O seu jeito de ver muitas coisas mudou, lhe permitindo viver sem ficar se protegendo o tempo inteiro. É mais arriscado. Mas, é mais verdadeiro. E ainda rende muita história para contar. Se tem vida em você, então viva. Não se importe mais com fotografias antigas. Tudo passou. O que foi bom permanecerá na memória. Se todos acharem que desistiu, continue. Simples assim.

Teu amigo,
Eli Negreiros

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Carta para mim mesmo IV



Amigo Eli,
   
     Para atender o teu próprio pedido, venho aqui novamente. Mais uma vez para escrever, e virei outras tantas vezes para te reler. Gosto de reler o que escreves, embora isso me pareça egocentrismo. Que seja então. Sempre fico sorrindo, tentando achar qual foi a motivação para escrever o texto. Suas letras, por vezes, são cruas. Tua escrita, tuas palavras, tudo muito curioso. Elas contém uma interessante ambição. Fico vendo e revendo. Quantas dúvidas. Já não és mais o que eras e dificilmente voltará a ser. Há cheiros, sorrisos, cores e sabores que te remetem a situações, que sei que se questiona se realmente viveu. Tens se tornado um ser frio. Embora que, ainda continua com um coração grandeAprendeu a ter autocontrole. Me assusta essa tua frieza tão clara, que tens com os afetos tão teus. Talvez sejam as cicatrizes que lhe causaram que te façam lembrar que tudo passa, seja bom ou mau. O fato é que, nesse teu inverno particular, aprendeu a se proteger do frio. Enquanto todos se envolvem com histórias eternas de pessoas passageiras, tu observa envolto à mantas quentinhas, tudo isso regado a doses, também quentes, de realidade. Prefiro ver todo esse joguinho de fora. Estou esperando os meus pés sararem, para voltar a caminhar. Ainda há um longo caminho pela frente. Apesar de toda frieza, continua indomável e duvido que algum dia isso mude. É um ser com personalidade. E seres com personalidade incomodam.
     Como gosto de ti, querido Eli. Palavras serão sempre insuficientes para isso. As vezes elas não me servem de nada. Tudo se transforma em nada quando tento dizer ou demostrar o quanto gosto de ti. Não consigo. Mas, é fato que entre você e eu deve haver um problema. Talvez seja você, talvez seja eu. Tem que haver um culpado. Você sabe quando devo sair para navegar e quando devo ficar atracado ao cais. Sabes me levar aos extremos. Não liga para a minha cara fechada e meus braços cruzados. Fica sorrindo das minhas seriedades. E leva a serio os meus sorrisos. Não me permite mais discutir por futilidades com era acostumado fazer. Tenho duvidas se isso é bom.
     Muitas letras ainda dançam dentro de você. Gotinhas, comparadas ao oceano que te passa diante dos olhos. Embora que seja um turbilhão controlado, ainda segue sem rumo definido. Há uma primavera pela frente, indiferente a toda essa frieza. Teimoso. Ainda mantém o coração quente e uma alma firme. A essa altura da vida, já pode se dar ao luxo de saber quem é cordeiro e quem é lobo, ou não. Pode excluir quem faz ruido e conservar quem conhece teu coração e o cuida como seu. São poucos, acredite. Laga de mão, aqueles que não te dizem mais nada. Talvez valha a pena para outras pessoas, mas não para você. Deus lhe trará outros, para um novo começo. Foca nas dádivas que te motivam e cresce. Não importa quantas pessoas você pode falar que te ama de verdade. Não importa o vácuo que alguns deixaram, os anos de partilha... Não importa o silêncio que hoje habita em você. Isso acontece. Chega um época da vida que é preciso podar as roseiras, separar o joio do trigo e nada te impede de fazer isso. Nada mais importa. Recomece! Eleja prioridades. Acho que é ai que o teu umbigo é posto à prova. Prioridades... deixa elas ecoarem em ti. Se ganhei algo convivendo contigo, foram os pés no chão. E isso não te impede de sonhar. Sei disso porque sonho por você e por mim. Em nós.

Eli Negreiros

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Carta para mim mesmo III


Querido Eu,
   
     Não é porque eu gosto de escrever, que te escrevo. Como sabe, acho que não passas de pouca coisa. Mas, vamos seguir. O motivo da minha escrita a ti, é porque, me parece, que só tu é capaz de me entender. Somente você compreende cada início de parágrafo e cada ponto final. Por vezes, pergunto-me o que queres afinal. O que te leva a pegar papel e embebecê-lo com rabiscos, palavras que poucos entendem? Embora saiba que não escreve para que te entendam, escreve para se libertar. Qual a necessidade da métrica das suas palavras?
     Se me permite, quero confessar-te um pequeno segredo: também tenho segredos, qual a pessoa que não tem? Pode pensar que é devaneio meu, mas, tenho medo do que escrevo. Minhas palavras carregam uma força invisível, exponho muito. Acumulo nelas muitas mágoas, embora que amenizadas pela distância, e as solto como uma flecha mortal. E depois meu bom amigo, preciso me despir, e a forma mais racional que encontro é escrever. A sorte é que consigo enigmatizar tudo que me vem à cachola. Um dia conseguirei soltar tudo aquilo que está moído em ti, o silêncio ganhará uma voz clara e compreensiva. Também sinto o frio nos olhares acusadores dos não entendedores. Hoje sua caminhada começa e segue em recordações, referências e só. Como se tudo e todos estivessem estacionados no tempo. Tempo esse que não volta. Leituras, fotos, objetos, lembranças, saudades... tudo ficou para trás. Lugares que não colocarei mais os pés, mas que reconheço no primeiro reflexo... corações. Só posso escrever a ti, não sobrou mais ninguém a quem possa fazer isso. Ninguém me entenderia tão bem, como você. Sei que passas o mesmo que eu. Somos uma ameaça a qualquer um.
     Toda vez que sinto vontade de despir-me da casca, me visto do medo invisível e te falo. Aprendi. Não te revelo todos os meus medos, nunca te disse isso, mas acho que nem é preciso. Pergunto a Deus porque não me encaixo. Porque passei a odiar futilidades e a adiar conversas que já deveria ter tido. É verdade que aprecia bem mais o silêncio agora. Passei a achar um desperdiço de tempo usar palavras vãs que nunca serão compreendidas ou aceitas por pessoas da mesma forma vãs, que prometem e não cumprem... Meu amigo, levante a cabeça, seja você mesmo e siga.
     Como eu gosto quando me fazes falar, quando arranca de mim toda pele e deixas-me sem defesas, acuado e sem saídas. Gosto quando me lê. Ao final de um tempo, sinto-me feliz por está vivo e por ser fértil de imaginação. Outro dia te mostro um capítulo da história que escrevi sobre você. Só não te mostro agora porque não decidi se o herói morre no final, para salvar o mundo, se ele sobrevivi sem memória com seu fiel cavalo ou se segue sua vida de herói. Assim vou seguindo, nas palavras despindo o mundo, embalando toda a descoberta, mascarando toda cura. Meu amigo, nas palavras que te beijo, nas linhas que te abraço, peço que não se afaste, pois preciso de ti. Quando me visitar, demore o suficiente para plantarmos novas sementes. Cultivá-las dará muito trabalho.

Eli Negreiros

terça-feira, 18 de junho de 2013

Trinta

     Outro dia, li em algum lugar, que aos 25 anos o ser humano começa a perder água da pele. Daí, o porque da pele, da parte de cima da mão, ficar fininha. Coisa de velho. Já estou quase paranoico de tanto olhar para minha mão. Depois li que aos 35 a pele tem menos elasticidade. Lascou tudo! Com 50, derrete, só pode. Nesse mesmo texto diz que aos 30 anos perdemos em média 50 mil células cerebrais por dia. Sem brincadeira nenhuma, estou muito preocupado com isso. Quem foi que falou que eu estou em condição de perder alguma coisa. Ainda mais as células cerebrais. Agora imagina, 50 mil células por dia... quantas no ano? É claro que não vou fazer essa conta. Depois de uma idade, começamos a esquecer onde colocamos as chaves de casa, o nome de uma pessoa ou outra, datas comemorativas, mas nada que uma boa desculpa não resolva. Agora, conviver com esses números pavorosos que a ciência joga nas nossas fusas, é preocupante.
     Sei lá, talvez fosse o caso de começar a procurar um geriatra. Será que meus rins estão funcionando bem? E o meu coração? Meus pulmões...? Meu Deus, olhai por mim! Não permita que eu fique neurótico. Olha as minhas células, olha as minhas células! Pra que esses dados mesmo? Não basta ver os cabelos caídos na pia? Nada se perde tudo se transforma, tudo se transforma... Tenho medo da traição da minha visão, estou mesmo achando que devo ir ao oftalmologista. E se o meu paladar não for mais o mesmo? É a gota. É o fim! Meu reservatório de células está baixando. Depois dos trinta, não vou mais contar anos. Alias, parei de contar aos 25. Conto apenas vitórias.
     Aos trinta, perder peso fica mais difícil e perder cabelo fica mais fácil. Triste sina. Você não é maduro o suficiente para se passar por adulto, nem suficientemente jovem para voltar a ser criança. Essa coisa de "tio" é o fim do mundo. Falar gírias, para uma pessoas de trinta é ridículo, e, se fala corretamente, é taxado como metido e quer saber tudo. Se já é casado, fez besteira, tanta coisa para aproveitar na vida. Se ainda não casou, tem alguma coisa errada.
     Caramba ... Trinta! 30! 10+10+10, 20+10, 15+15 ... Rir ou chorar? Tudo isso faz a gente pensar na vida. Tirando a história das células... São caminhos que a gente trilha. Só isso. Talvez uma das melhores fases da vida. Seguimos com as dificuldades, alegrias, tristezas, vitórias e derrotas, mas seguimos. Putz, quanta coisa já aconteceu. Tantos sonhos. Algumas questões da vida mais claras e compreensíveis Outras nem tanto. Não é para qualquer vinte e poucos não. Trinta é descobrir-se no tempo. Antes era espaço, agora é tempo. É mais objetividade. Hora de fazer valer a pena. É a idade de saber mais sobre os limites das coisas. Maturidade. Instintos pulsando. Será que fazer trinta anos é mais serio do que eu pensava? Não, não é. É simples e extraordinário, assim, tudo junto.
     Não vou ficar na neura. Acho que amadureci da melhor forma possível, não esqueci de ter um coração de criança. Minha cabeça continua curiosa como a de um guri. Nessa idade, já sabemos que um tempo de nós se passou. Nos tornamos dilema. Tenho bem menos amigos do que imaginava, mas o que importa, é o quanto eu consigo ser amigo de alguém. Não me preocupo mais em me exibir como pedra preciosa, não me cabe valores. Aos trinta passamos de quantidade a qualidade, de reta à curva, de loucura à prudência, de pressa à paciência, de impulso a sabedoria. Trinta é o primeiro grande estágio da vida. É um começo bom.
     Trinta é um tempo que fica guardado, esquecido, adormecido no peito e de repente rebenta-se, explode, desperta ... e o coração, embora que cansado, desprovido de motivação, ganha nova roupagem, suspira. Tudo fica mais simples e sincero. Tudo virá combustível. É amar-se! Agora sim, entendo o que disse o poeta: "é fogo que arde sem se ver... é um andar solitário entre a gente". Trinta!


Eli Negreiros

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Carta para mim mesmo II

Querido Eu,

     Mais uma vez dirijo minhas palavras a ti. Sei que é cansativo, e depois, pouco vai lembrar do que falei. Falo mesmo assim. Muitas vezes fico na dúvida se vale a pena dar tanta atenção a você. Tanta coisa melhor aí fora... Deveria se escutar mais, se consultar. Com certeza aumentaria o seu senso crítico e falaria menos merda. Ou pelo menos acreditaria mais nas merdas que fala. Sei lá. Fale menos, mas fale aquilo que  realmente acredita. Não se importe se amanhã ou depois tenha que mudar de ideia. Isso é um direito que todo mundo tem, inclusive você. Nessa vida é normal que sejamos repetitivos, que tenhamos que falar de novo, repensar, rescrever. Normal. Com o tempo, depois de apanhar muito, sei que aprendeu algumas coisas sobre as pessoas e a verdade. Tens ficado mais esperto a cada dia que passa. Indicio de que aproveita bem o que o tempo te ensina. É isso aí, meu garoto!
     Dentre as muitas coisas que aprendeu, vejo-te observar como as pessoas não querem ouvir verdades completas. Ninguém quer ouvir uma verdade que não seja de bom grado, ao menos para ela mesma. O povo gosta mesmo é do tantinho de ilusão que conforta. Entenda que, quando a verdade não agrada plenamente e não interessa a quem ouve, ela sempre será compreendida como mentira. Espere isso das pessoas. Acostume-se! Afinal de contas, somos um bando de humanos imperfeitos tentando conviver uns com os outros. Não gostamos de verdades que nos contrariam. Mas, elas existem. Se não anda no terreno da verdade, será prisioneiro de discursos falsos e cheios de maquiagem. A fala verdadeira não trava, tem a cara limpa. Não hesita. Faz doer em quem fala e em quem escuta. Diga a verdade e fim. Nunca espere aceitação completa, mas mantenha a posição. Quando falamos uma verdade, as consequências virão em seguida. E não serão, necessariamente, agradáveis, confortáveis. Mas certamente, com o tempo, provará ser o decente, o bacana, o correto. O justo. Será o certo! Pronto!
     Tudo falha. Tudo muda. Temos uma visão muito limitada das coisas. Nossas verdades passam por filtros individuais limitados e falhos. Ao longo do caminho vamos perceber que algumas verdades que conhecíamos também são falsas. Temos uma capacidade limitada de observar o mundo.
     Quem não se olha não se vê. Reconhecer o próprio erro é uma arte. Hoje eu me percebo errado quando estou errado. Isso impede que eu seja algo além de um ser tonto que topa com os outros, desatento. Assim me descubro, me vejo. Decepções, esperas e partidas, quedas, perdas... Tudo que te derruba dói, mas solidifica quem você é. A maneira como você encara a derrota ditará quando e como será a sua próxima vitória. Tudo muda com o tempo. As relações. Amores, paixões, amigos, o foco, a paciência. Um dia tudo ficará diferente daquilo que você conheceu. Um dia, todo o passado deixa de fazer parte do futuro. E você se acostumará com isso. Acredite!

Eli Negreiros

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Carta para mim mesmo I


Querido Eli,

     A tempos venho criando coragem para escrever-te. Falar sobre algumas questões que me movimenta e que preciso que saiba. Sei que da vida sempre quer o melhor, pois bem. Que até mesmo na tua origem, extraia sempre o melhor. Entenda sempre, o que te moveu a tomar todas as decisões em tua vida. Sejam elas boas ou aquelas que revelaram o seu pior. Mantenha o foco nos teus desejos e no teu Deus. Preserve os contatos humanos, que ampliam toda e qualquer possibilidade de crescimento. Não há a necessidade de ter certeza de nada. Precisa apenas daquilo que te reflete em tua vivência, assim, conseguirá ver melhor. Tente compreender-se, melhore e cresça. Aproveite o máximo do seu tempo. Mesmo cansado, aproveite. Para crescer é preciso doer um pouco.
     Não esqueça nunca dos teus. Deixe que aqueles que se foram, permeiem a tua memória, mesmo que para isso haja tristeza. Cuide das tuas lembranças. Isso fará das tuas memórias, alegrias verdadeiras. Quando lembrar, isso te esquentará o peito. Faça o bem, mesmo que não haja vontade ou força para fazê-lo. Seja quisto, mesmo que por poucos, mas que seja muito. Viva simples e espere pouco. Cuide de quem você ama. Questione sempre o que vê, escuta e sente. Questione todo mundo, inclusive você mesmo. Duvide da beleza. Não se conforme com o possível. Veja o que te cerca para se ver por dentro. Queira o frio tanto quanto o calor. Não se contente com nada. Todo o concreto também pode ser frágil. O singelo, subjetivo e perecível também é belo. Mantenha a paz e a calma.
     Não abra mão da fidelidade e lealdade. São bens preciosos. Nunca desista de lutar por aquilo que acredita. Seja você mesmo o seu guia. Mesmo questionando a sua capacidade, esteja no comando e seja comandado. As tuas vontades devem se firmar em verdades. Que o teu caminho seja trilhado, baseado nessas vontades e que nele tu refaças as tuas verdades. Se perder, tire proveito. Mude. Cresça até o fim, para poder começar de novo.
     Tudo que se apresenta na vida é matéria prima para edificar a felicidade. Reclame menos e siga em frente. Leia coisas inúteis, escute músicas ruins, faça idiotices. Viva as bobagens mais intensamente. Não seja tão denso. A essa altura da vida, já deve ter percebido que a felicidade nasce no interior, bem onde nasce as emoções, no lugar onde o amor faz morada. A rotina é confortável e as certezas são vazias. A riqueza é relativa. Persiga as coisas certas. Não espere nada de ninguém, assim tudo que receber terá cor e sabor de milagre. Tudo que chega a você, chega para o bem. O mal só existirá se você fechar os olhos ao proveito que podes tirar dele. Não tenha autopiedade. Mantenha um sorriso no rosto e seja muito, muito feliz!

Teu melhor amigo,

Eli Negreiros

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Guri do buchão

     Caminhar descalço, sentir o chão nos pés. Pisar em espinhos e gritar como se tivesse pisado numa cama de pregos. Sentir a areia passar entre os dedos. Olhar sem malícia, correr de olhos fechados. Andar para trás, sem virar a cabeça. Dá uma crise de riso até doer a barriga. Gargalhar alto. Forçar o riso. Jogar bola na rua, brincar de bete, queimada, golzinho... Chegar suado em casa e tentar tapear a mãe para não banhar. Ligar o chuveiro, molhar o cabelo o rosto e sair como se tivesse banhado, eita lasqueira.
     Entrar no quintal dos vizinhos para pegar manga e goiaba. Cantar bem alto no chuveiro. Gritar no travesseiro, fazer guerra com ele. Brincar de lutinha com os irmãos. Depois brigar com eles, por que a brincadeira foi levada a serio. Tomar água bem gelada para doer a cabeça. Inventar cenas de ficção na cachola. Não entender como nascem os nenéns. Desenhar figuras nos cadernos da escola. Tentar melhorar a letra. Olhar para as meninas com ingenuidade. Morder e assoprar ao mesmo tempo. Correr com duas latas de leite nos pés. Pique esconde, pique alto, pique pega, bandeirinha, bola de gude, bola de meia, bola dente de leite, adedonha, pular corda, ciranda cirandinha, o circo pegou fogo, dois passarinhos, fui no tororó, fitas, sou pobre de marré marré, polícia e ladrão, pião, pipa, plantar bananeiras, gangorra, cabo de guerra, carrinhos feitos de lata com rodas de havaianas, amarelinha... Fugir do bedel da escola. Chorar escondido no quarto por causa de uma paixãozinha. Comer danone fazendo os dedos de colher, sem se preocupar com os germes. Manga com sal. Tomar remédio para vermes. Biotônico Fontoura com Emulção Scott, aquele remédio do peixe. Tomar água de coco. A mãe da gente nos pegando com aquela bucha na hora do banho, escova nos pés, e, a mistura de cócegas e dor.
     Pensar em fugir de casa quando levamos uma surra. Apanhar pelo erro dos irmãos. Ficar acanhado para tirar uma foto. Namorar sem a outra pessoa saber. Dançar sem música. Colar nas provas. Dançar quadrilha. Construir estradas com viadutos no quintal de casa. Subir em árvores. Fazer casinhas. planejar uma casa na árvore. Sair correndo da escola para assistir o Jaspion. Assistir Carrocel Mexicana. Ursinhos Gammy, He-man, Gargamel, Os Smurfs, Super amigos, Angelica e Xuxa, Pawer Rangers, Caverna do Dragão... Tocar a campainha e sair correndo. Passar trote do orelhão. Deitar na grama. Banhar na chuva escondido.   Arranhões no joelho. Ir para o rio, também escondido. Se apaixonar pela professora. Se apaixonar pela irmã do amigo. Se apaixonar pela amiga, e ficar vermelho quando alguém fala que vocês parecem um casal de namorados. Usar as roupas e calçados dos irmãos, e eles virarem uma fera e não poder fazer nada, por que você já esta usando mesmo.
     Pensar em ser médico, astronauta ou veterinário quando crescer. Decorar poemas nas festas da escola. Desfile de sete de setembro. Juntar dinheiro para comprar doces. Álbuns de figurinhas de desenhos animados. Reclamar por que vai lavar a louça. Sempre eu! Limpar o quintal. Não querer pegar as sujeiras do cachorro. Colocar sempre a culpa no irmão e vice versa. Dever de casa. Conjugar verbos. Decorar a tabuada. Band-aid. Salgadinhos, pipoca doce. Sessão da Tarde. Quebra queixo. Dinheiro pro lanche. Lanche do colégio. Correr atrás das galinhas para o almoço. Assistir o Chaves e o Chapolin Colorado. Caçar calangos. Pegar Umbu. Passarinhar. Balhadeiras e capangas. Apongar em carroças. Missa das dez. Roubar melancia na roça alheia. Andar na areia quente, descalço. Medo do dentista. Brincar com um pneu de bicicleta. Cuscuz. Tampinha de garrafa com os personagens da Disney. Zé gotinha. Ficar de cabeça para baixo, pendurado num galho. Plantar bananeira. Atiçar os cães para a briga. Fingir que tá dormindo, só para ser carregado para a cama...
     Tudo isso é história construída à base da mais pura felicidade. Nossos tempos de criança. São esses os momentos mais verdadeiros de toda a nossa vida. Inocentes. Onde bastava pouco para ser feliz. Haviam brigas, mas eram rapidamente esquecidas e perdoadas. O dia seguinte era sempre muito esperado. Pouca responsabilidade e uma obrigação enorme de sorrir, ser feliz. Se divertir era uma arte. Vivíamos tão intensamente que o tempo era apenas um detalhe.


Eli Negreiros

domingo, 31 de março de 2013

Culpa e perdão


     Vamos lá, encare a realidade. Coloque os pingos nos is. Se você não está feliz, o problema é seu. Exclusivamente seu. O problema não é meu, não é dele, nem do destino. Da novela das oito ou do governo. É seu. A pior e mais covarde coisa mundo é distribuir culpas, tornando-se vítima do próprio sofrimento. Mas não culpo ninguém por isso. Fomos criados assim. Jogamos a responsabilidade de ser feliz nas mãos dos outros. E não adianta dizer que não. Somos todos acorrentados na autopiedade, nessa vidinha repetida que nos prende. Da qual não abrimos mão tão facilmente. Assumir a culpa pelos seus atos é diferente de sentir pena de você mesmo.
     Se a vida é sua, a culpa de você estar aí, inquieto, cheio de raiva no coração e decepcionado também é sua. Não diga que é das pessoas que, sem explicação nenhuma se voltaram contra você. Sinto te informar que não é. A culpa é sua, sim. Aceite. Sua culpa em sua máxima verdade. Tome-a nos braços. Você é culpado pela sua felicidade e pela sua infelicidade. Por tudo o que você faz e recebe da vida. Decorou? O que você plantou, logo logo estará servido na sua mesa. É difícil, mas é isso mesmo que acontece. E eu digo isso porque você e eu precisamos acordar. A vida não contem somente sonhos. Ela está cheia de realidades.
     Não podemos dizer que uma pessoa nos decepcionou, mesmo sabendo que isso pode acontecer. Não temos o direito de achar que nosso coração tem milhares de cicatrizes, porque o amor é uma navalha afiada. Vamos jogar aberto. A culpa é sua. Foi você que deu o seu coração. Foi você que inventou tudo aí no peito. Criou expectativas. Então, com sua licença. A culpa é sua sim. Sua e de mais ninguém. Sua culpa que te faz olhar a vida, e se sentir personagem principal de uma página triste. Que pode ser boa também. Porque te faz exercitar um sentimento maior: o perdão.
     Se pode escolher um verbo, escolha perdoar. Assim, conjugado na primeira pessoa: eu me perdoo. Com isso, o perdão aos outros virá mais facilmente. Todo mundo é limitado, e sujeito ao erro, mas isso é outra questão. Temos que perdoar a nós mesmos. A nós, que nos ferramos. Nos iludimos. Nos refazemos. Nos encantamos. Porque a culpa é nossa. Nossa e das nossas expectativas e imaginações malucas. Então, com sua licença, deixe você e sua culpa e os outros em paz. Delicie-se com perdão por você mesmo. Pare de culpar a vida e as pessoas. Pare de ter autopiedade. Se assuma. Se aceite. Se lasque. Se estrepe. Se coise. Mas se perdoe. Entender e aceitar nossas fraquezas é o grande barato da vida. É possível ser e viver melhor com coisas simples.


Eli Negreiros

terça-feira, 19 de março de 2013

O texto que não escrevi

     Pensei em escrever um texto grande. Grande não, imenso. Muito maior que as trinta linhas das redações. Os verbos no passado deveriam sempre dá inicio aos parágrafos, que por sua vez, sempre começariam com aquela margem de um dedo. Letra caprichada, a melhor possível. Sabe aquela em que demoramos para desenhar as maiúsculas? Ela mesmo. O texto não se prenderia ao passado. Ele divagaria, em seus meandros, para o presente. E ainda sem rumo, acampava no futuro. Cada momento do texto seria minuciosamente descrito. As palavras desenhariam muitas coisas boas e bonitas. A intenção era juntar cada letrinha, e abusar de um certo narcisismo português. Iria caracterizar meu texto com o melhor da língua. Tinha que ser digno da Academia Brasileira de Letras. Quem o lesse, suspiraria de emoção. Me daria muito orgulho.
     Porém, ele não saiu. Não consegui pensar muito. Suspirava, mas por falta de inspiração. Um branco invadiu a minha mente. Sabe aquele branco da redação da escola ou do concurso? Ele mesmo. Agora só escrevia linhas longas, que dificultava a compreensão. Não dava vontade de ler, reler ou decorar. Antes, queria que o texto dissesse tudo, e agora ela não diz nada. Os instantes que pensei se tornaram incompreensíveis do começo ao fim. Tudo saiu da ordem lógica. Delonguei as palavras, perdi a objetividade dos verbos e a precisão dos tempos conjugáveis. Minhas idéias foram transcritas pra o mandarim. Lê-las e compreendê-las era impossível.
     Foi assim que aconteceu. Fiz um texto vazio, onde as palavras odiavam se unirem. Me trouxe mais dúvidas do que certezas. Um texto gélido. Nem razoável era. Não fez o coração bater mais forte, não causou calafrios ou arrepios. Sufocou ao invés de fazer suspirar. Me fez perder a sequência das letras. Perdi o fio da meada. Emudeci os sons. Escamei os olhos em lágimas não mais plausíveis, indignas e de fracasso. O texto não teve fim, por que não teve um começo. As linhas não se desenrolaram, não se encaixavam. Não especifiquei nada. Era um corpo desconjuntado e mau formado. Até esbocei um título. Também ficou péssimo. Tentei uma introdução ao tema e nada. Os meios eram injustificáveis. Os fins não se findavam ou se fundamentavam em algo. Quebrei muito a ponta do lápis, rasurei folhas e folhas. Horas e horas no vazio. Minha mente me deixou no vácuo. Rasguei todos os rascunhos, não passei nada a limpo. O texto não foi escrito, nem lido. Embora que a folha destinada a ele ainda está no meu caderno. Toda branca!

Eli Negreiros

quinta-feira, 14 de março de 2013

Meninos choram

     É impossível encontrar alguém nesse mundo, que nunca chorou. Por mais gelada que a pessoa possa ser, um dia ela irá chorar. Momentos alegres e felizes, tristes e chorosos são frequentes na vida. Pensando assim, é ridículo acreditar que os meninos não choram. Independente do sexo, todos nós choramos. Não tem nada a ver com a masculinidade. Podemos até ser resistentes e evitar o choro em público, por orgulho ou por vergonha, mas choramos sim. Para qualquer ser humano é difícil conter a dor dentro do peito. Algumas vezes a lágrima tem que escapar sobre a face. O choro é sinal de vida. Nascemos chorando.
     Mesmo aparentando força, os meninos convivem de perto com a fraqueza e a fragilidade. O choro é uma maneira de aliviar, de se conformar com o que não conseguimos. O choro liberta. Quem assume as lágrimas é corajoso e não sente vergonha dos seus sentimentos. Quem chora demonstra fraqueza, e isso é tipico do nosso humano. Um homem pode ser corajoso sem deixar de ser sentimental. Perdemos muito tempo escondendo nossas emoções, o que nos mata por dentro. Esconder os sentimentos é um claro indicio de fraqueza emocional. Os homens têm sentimentos sim, são fracos, demasiadamente inseguros.
     É verdade que os meninos choram menos que as meninas. Eles só choram em público quando a emoção transborda, por amor, compaixão, raiva ou mágoa. Vai de pessoa a pessoa. A maioria das vezes que choram é por dentro, o que é muito mais doloroso.
     Choramos pela vida que encontra a morte, da qual não nos acostumamos, são lágrimas que saem do coração. Um silêncio que nos corta, onde a palavra não ameniza a certeza de que a pessoa morta jamais poderá chorar ou sorrir contigo. Homens seguram nas lágrimas um temporal que não se acalma, fica ali, agitando a alma, apontando-os como réus. São lágrimas de quem fica para trás. Meninos choram com canções em notas tristes, porque sabem que músicas assim, tão verdadeiras, jamais passam despercebidas pelo coração. Choram de saudades, por lembranças de começos e fins. Pela certeza da fé. Os fortes também choram, os corajosos, os heróis, os guerreiros, os pacatos, os ariscos, os néscios, os sábios... todos derramam lágrimas. Meninos são sentimentais, isso é comum. Chorar é um alivio. Quem não se sentiu melhor depois de chorar bastante? É um calmante.
     Têm pessoas que dizem que não aguentam ver homens chorando. Acho que, por ser essa hora, a que o homem se mostra mais sensível. O choro é uma abertura de portas, uma visita ao exterior daquilo que só permanecia no intimo do ser. Poderíamos reparar mais em nosso próprio aspecto. Podemos até preferir chorar escondidos, afinal, somos fechados e egoístas de emoção, mas jamais podemos deixar de chorar. O choro refaz as pessoas. Vez ou outra a gente veste os olhos d'água, simplifica a vida, e apenas quer viver feliz, sem querer mais nada além disso, mesmo quando não conseguimos tal objetivo. Está tudo bem se os meninos choram. No fundo é a comemoração pessoal de uma vitória solitária: o choro.


Eli Negreiros

terça-feira, 5 de março de 2013

O medo

Se posso falar algo sobre o medo, eu diria que ele é o único adversário efetivo da vida. O medo pode derrotar o homem. É um oponente traiçoeiro e esperto. Não se incomoda em não ter decência, não respeita leis, não age com piedade. Se tem uma coisa que ele acha com facilidade é o nosso ponto fraco. Sempre começa pela mente. Num momento estamos calmos confiantes, contentes. Daí, o medo, mascarado como uma ligeira dúvida, penetra a nossa mente para espioná-la. Com a dúvida deixamos de acreditar, ficamos ansiosos e lutamos contra a razão. Vem a fraqueza e a hesitação e a ansiedade se transforma em pavor. Acho que é mais ou menos isso.
O medo, mantem-se concentrado em nosso corpo, que a essa altura já sabe que algo terrível vai acontecer. A boca fica seca. O tremor é inevitável. Ficamos surdos. Faltam as pernas, ficam bambas, o coração parece diminuir, sem falar da sensação de que vamos urinar mesmo sem querer. Tenso. A nossa consciência não se dá conta da tragédia que isso causa. Cada parte de nós, do seu jeito, entra em colapso. Somente a visão permanece imaculada. Os olhos dão a devida atenção ao medo. Até parecem aliados, amigos de infância. É impressionante como tudo toma proporções gigantescas quando estamos com medo.
     As decisões precipitadas são tomadas de imediato. Abrimos mão da esperança e da confiança, que são as únicas aliadas que nos restam. Pronto! Terminamos por derrotar a nós mesmos. Somos vencidos pelo medo, que não passa de uma impressão. É verdade que chega a ser ridículo, mas é isso que acontece, não ha como negar. Agimos de modo instintivo, e expressamos o medo de uma forma disfarçada, como se estivesse sentindo outra emoção. Usamos de máscaras como: a irritação, o desespero, a solidão, a paralisia.
Não dá para expressar assim facilmente com as palavras. O medo se instala em nossa memória como um parasita. Estraga tudo, até mesmo as palavras. Falo do medo de verdade, aquele que desestrutura nossos alicerces. Expressá-lo exige esforço. Torná-lo claro para nós é questão de sobrevivência. O nosso medo tem que ser conhecido por nós mesmos, só assim saberemos combatê-lo. Se não o conhecemos abrimos a guarda e sofremos novos ataque, pois, nunca enfrentaremos pra valer o adversário que nos derrotou. É preciso conhecer o inimigo a ser derrotado. Conviver com ele não é fácil. Mas, nesse caso é preciso correr esse risco. De uma certa maneira é bom sentir medo. Ele mostra onde estão as nossas limitações. Não há pessoa que não tenha medo, todos temos medo de algo na vida. Podemos até perder alguns medos, mas sempre surgirão outros. Faz parte do nosso crescer. O medo é texto que preenche a vida. Admita ser medroso! E quem não é? Ter medo não é covardia. Só os corajosos preferem não lutar. Ter medo é o nosso próprio direito de ir e vir, ou, de não ir e não vir. A escolha é sempre nossa.

Eli Negreiros

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O tempo ensina

     As vezes eu não sei falar, principalmente aquelas palavras bonitas e sábias que são agradáveis aos ouvidos. Não sei definir o que sinto, não levo jeito para isso tudo que me resume, me prende em silêncio, e, também me permite voar. Gosto do simples. Sem ele me disfarço, me enfeito, uso máscaras, falo o que não quero, me valio de palavras que não penso e que se perdem sem proveito algum. Agora mesmo, quero tudo simples. Coração a coração, voz a ouvido, ouvido a voz, ar aos pulmões, água ao corpo, olhos aos olhos, Deus e eu, eu e Deus... Simples assim. Há tempos vinha enfeitando, disfarçando, manipulando minha voz. Parei com isso. Agora quando falar, quero usar o coração. Quero pedir perdão quando errar. Tudo muito simples. Não sei se as minhas orações bonitas chegam ao céu, podem até chegar, mas as simples me soam mais verdadeiras. Chega um tempo na vida que apenas temos que parar, deixar calar as palavras e deixar falar o silêncio. Quando eu chorar com uma canção, serei o primeiro a me acolher, o primeiro a não me abandonar quando o coração doer, me acalmar quando a confusão me agitar. Me agradecer por me amar todos os dias.
     Sou igual a todo mundo. Nem tão louco, nem tão estranho, nem tão mais, nem tão menos. Igual. Sei o que é o amor, por amar, não por me falarem. Tenho opinião. Quem não tem opinião corre um grande risco de viver complexado. Todos nós deveríamos ser mais fortes, sem esquecer da nossa fraqueza, ser irmão, filho, mais família, namorado, mais bagunceiro, mais errante e bem mais amigo.
     Vou me encontrando a cada dia, não tenho bloqueios. Sou atrapalhado, é bem verdade, não fujo disso, mas quem não é? Se fico frente a frente comigo mesmo, não sei mentir, não me disfarço, me olho nos olhos, tento me aproximar, retornar à aquilo que sou. Pouco a pouco eu consigo. Bem ou mal, sou a melhor pessoa para falar de mim. Ao me enxergar, me derramo, sou tudo em mim. Lembro da primeira vez que me vi... É bom se ver com os olhos que não são dos outros, que não tem rótulos, são seus. A cena muda diante de mim mesmo. Me sinto, me chamo, vou além, sempre irei. Ao levantar, não me levanto invisível, imperceptível, cego, surdo. Me levanto inteiro e humano. Deixo vestígios da minha batalhar gritar, sem que ninguém ouça ou veja, e caminho. Mesmo sendo fraco, sigo aprendendo. As vezes me olho e digo: não me leve a mal, mas hoje não. Normal.
     As pessoas não querem nos enxergar, nos desprezam naturalmente. Elas agem por interesse, você e eu somos assim. Um dia nos mostraremos inteiros, nem que seja no fim. Juramos amor eterno e esquecemos logo em seguida. Viramos as costas, zombamos, somos hipócritas... tudo naturalmente. Apagamos o nosso próprio brilho, ouvimos a voz que nos condena, então, nossos erros nos envergonham, perdemos a força de lutar, caminhamos em vão. Demoramos mais que o normal para admitir um erro. O orgulho nos impede de andar, nos deixa cabisbaixo.
     Sou um jovem dedicado. Minha história ainda não tem um final, por que minha vida precisa de mais texto e qualquer pretexto para cantar. Vou cantando a vida. Onde tem o mal, ali eu quero o bem. Levou um tempo até perceber que não somos absolutos, que estamos sujeitos a errar. Tive que aprender consertando meus erros e não com os meus erros. Há uma diferença nisso.
     Preciso conhecer para poder amar melhor. Antes não sabia disso, o tempo me ensinou. O aprendizado é constante. Todo dia tenho que me recomeçar. Entendo que para curar é preciso doer. Não posso fazer nada quanto a isso. Paro em algumas portas, não posso seguir em frente, não sou tão perfeito, não sou tão aceito. Somente eu posso me esperar, dentro ou fora. Eu me mereço bem, ou não tão bem assim. Eu me conforto, me alcanço, me amo sem julgamento. As vezes a canção que sai de mim, não é de amor, não é tão afinada, tão bela. É destoante, rouca, desafinada, contém raiva, mas o que posso fazer? Esse sou eu, o que dá pra ser. Faço chorar meu coração, tento gritar, mas não consigo. Se fosse mais fácil, talvez não fosse o melhor. Desconfio. Mas se posso pedir algo a Deus, então que seja algo bom. Ele sabe quem eu sou. Então, peço que não limite a minha força, que faça eu perceber minha fraqueza, e, me mantenha com o pé no chão. Permita que eu seja eu, assim como fui criado, e só.

Eli Negreiros

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O amor é livre

     A todo ser humano é confiado a possibilidade de amar. Todo mundo é capaz de amar algo na vida. Coisas boas ou ruins, construtivas ou destrutivas, todos amam. Alguns amores aprisionam, outros tornam livres o ser amado e o ser amante. Esse ultimo é o que chamamos de amor verdadeiro. O amor é em si mesmo o seu próprio bem, mas, se acontecer de maneira desordenada pode se tornar prejudicial. Decidir sempre pelo bem, essa é uma capacidade do amor, mesmo quando isso não for tão agradável assim. O afeto em excesso sufoca e não atrai respeito. Quando o amor é maduro, ele entende que é preciso se doar aos poucos.
     Para amar bem é preciso começar em si. Se não somos capazes de nos respeitar e compreender nossos próprios limites, tão pouco compreenderemos e respeitaremos o outro. Somos todos propensos a conceituar as pessoas antes de entender os espaços alheios. Em determinado ponto da vida o coração  quer apenas descansar, mergulhar no silêncio, mas isso não o torna preso. Pelo contrário, é justamente na liberdade que o amor se faz verdadeiro, quando entendemos isso, descobrimos o que é o amor. Quando sabemos quem é a pessoa amada e conhecemos seus limites e mesmo assim continuamos amando. Quem ama de verdade, dá à pessoa o direito de ser ela mesma, de errar, acertar, ser fraca, ser livre.
     Não podemos abrir mão de quem somos para agradar aos outros. Isso seria alienação. O amor torna-se concreto quando nos doamos aos outros e somos capazes de definir nossa identidade. Temos que assumir aquilo que gostamos e aquilo que não gostamos, e assim , amar com qualidade. Se não nos assumimos, em personalidade, dignidade, força e fraqueza, estaremos sujeitos a representar para sermos aceitos. As pessoas que nos amam, fazem isso, por que nos conhecem sem máscaras. O amor que não nos torna livres é egoísta, tenta se afirmar às custas de outro coração. Esse é um erro, o coração da outra pessoa pode até ser "nosso", mas não deixa de ser dela. Devemos promover o ser amado e não aprisioná-lo.
     O amor perfeito nos impulsiona para frente e não reduz nossa capacidade de relacionamento com o meio que nos cerca. Isso é ciúmes, ou seja, prisão, egoísmo. Não podemos confundir o conceito de amor com o de posse. Quando o amor faz morada traz com ele a liberdade. Se nos fechamos no egoísmo, tiramos os sabores da relação amorosa, seja ela casal, amigo, familiar ou qualquer outro tipo de amor. Não vamos cair na besteira de achar que é fácil, pois não é, dá trabalho. Quando conseguimos amar dessa forma realizamos o que somos. Ao se chegar ao sabor ideal, logo se percebe o quanto nossa vida fica melhor. Todos somos capazes de amar e ser amado.
     Temos que ter disposição para o amor. Tal disposição, acarreta perdas, escolhas, podas de tudo que se coloca como excesso em nossa vida. Amar é um dom a ser trabalhado em nós. A sua plenitude é adquirida no esforço e na aceitação do outro assim como ele é. Só amamos verdadeiramente quando aceitamos as diferenças e não quando encontramos semelhanças. É bom saber que somos todos diferentes uns dos outros e mesmo assim somos capazes de nos amar.

Eli Negreiros

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Aparências


     Em certas ocasiões, julgamos os outros apenas pela aparência. Definimos e conceituamos a realidade a partir daquilo que nos sinaliza a aparência. Estacionamos assim, no exterior, e não conhecemos melhor as pessoas. Julgar pelas aparências é cometer injustiça. A maturidade vai além das simpatias e antipatias. Essas não podem ser a força que se impõem como parâmetro para decisões que envolvam outas pessoas. Querendo ou não, nós absorvemos a vida dos outros. E a forma com que absorvemos é que acaba sendo certo ou errada.
     Não temos o direito de aprisionar ninguém em rótulos que as primeiras impressões nos deixam. Todo mundo é sempre mais do que aquilo que imaginamos. Estamos propensos a ter sempre o pé atrás e nunca acreditar em ninguém. A sociedade nos ensina a desconfiar de tudo e de todos, e isso não é ruim. Porém, precisamos acreditar nas pessoas, sem querer que elas sejam o que queremos. Todo mundo quer acertar na vida, cremos nisso. Ninguém se autodenomina infeliz por assim querer. Enxergar além das aparências é acreditar que todo mundo quer ser feliz, mesmo se não houver êxito. Nossa visão tem que focar o que a pessoa tem de bom e não aquilo que acreditamos que seja bom, um coisa é diferente da outra. Somos únicos e não cópias.
     É tão bom quando somos acreditados. Mesmo quando as primeiras impressões não agradam tanto assim. É bom quando enxergamos o que as pessoas tem no coração. Quando damos chance para os outros tentarem, mesmo errando, nos conquistar de uma forma que não é a nossa, e sim, a dele. Nosso olhar é precário e incompreensivo. Por isso mesmo, temos a obrigação de dar uma chance aos outros e a nós mesmo de acontecermos, mesmo sabendo realmente quem somos. Um bom começo seria olhar primeiro para nós. Quando percebermos o quanto em nós precisa ser mudado, daí então estaremos bem aptos a ajudar os outros.


Eli Negreiros

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Alegria roubada


     

Dizem que a alegria é para ser compartilhada. Não dá para guardar pra si. Será mesmo? Tudo depende do outro. Às vezes roubamos, sem pudores, a alegria dos outros e de nós mesmo. Deixamos nossa velha experiência roubar nossa alegria de infância. É bem verdade que o tempo passa rápido, nos levando a exaustão. Mas, se fizéssemos o contrário, se roubássemos, agora, da nossa alegria de criança... A infância é uma maravilha. É um privilégio desfrutá-la. Quem não aproveita a alegria oferecida, com o tempo se torna parasita da alegria alheia.
     Somos roubados. Tiram nossa alegria. A vida muda num ritmo acelerado. Antes liam-se livros, escrevia-se diários e cartas... hoje não temos tempo. Nossa alma não encontra espaço para expor-se, temos pressa para tudo e deixamos de nos conhecer, deixamos de nos perceber. Vivemos numa época a jato. Se fosse possível rodaríamos os ponteiros das horas. É bem verdade que encontramos as pessoas mais facilmente, mas será de fato um encontro onde enriquecemos nossa humanidade? Não. Nunca estivemos mais ausentes do que agora.
     A pressa nos rouba o tempo e nos coloca em outras pressas.Contudo, nossa vida não depende de tempo. Depende da nossa atitude perante ao tempo e muita vontade de viver. A vida se torna vazia quando não se tem tempo para ser feliz. Temos tempo de folga, mas somos avarentos de folgas. Ser feliz leva um tempo. Quem não se dispõe a ser feliz, perde a sintonia com o outro e tudo fica mais descompassado, e, toda a facilidade de achar as pessoas torna-se vã, quando não acertamos o passo. Haveremos de inventar outras alegrias, outros laços. Recomeçamos, reencontramos novos ritmos, criamos novos passos, temos idéias... Porém, pouco adiantará se estivermos sozinhos. Não nascemos para a solidão, precisamos ser povoados de presenças. E essas presenças têm que acompanhar, no tempo e espaço, o mesmo desejo de alegria.
     A alegria anda de mãos dadas com a idiotice. Quando olhamos para alguém que tem um comportamento infantil, achamos tal pessoa idiota. Mas, quando olhamos para um criança que faz o mesmo, percebemos a felicidade, a simplicidade da alegria. As crianças têm tempo de sobra. Se queremos ser feliz para sempre, a nossa infância deve ser vivida até a morte. Se o que nos faz feliz não tiver ligação alguma com a criança que somos, então tem algo errado. Tem que ver isso aí, urgente. Fazer traquinagem, brincar de algo que não esteja ligado na tomada, banhar na chuva, contar uma piada besta, e rir dessa piada (que é o melhor), inventar histórias, gargalhar... tudo isso é ser idiota e nos faz muito feliz. Devemos desacelerar nosso crescimento.
     Muita gente perde tempo sendo adulto e triste, e não tem tempo para ser criança e feliz. Um dia Jesus disse: "Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos Céus é para aqueles que se lhes assemelham" (Mt 19-14). A partir de hoje, começo a imaginar o céu com a alma de criança. Nele, há muita gente brincando e encontrando a felicidade na simplicidade das coisas. Uma grande roda e vozes entoando cantigas da infância. Todo mundo pode ser meio bobo e nem por isso será vitima de bullying. Terá muitos doces e nenhum dentista. Respostas para todas as perguntas, descobrimento. Uma bola de meia... guerra de travesseiro antes de dormir... Sempre imaginamos um céu.
     Roubar a alegria não é o mesmo que roubar dinheiro. O material é por vezes e continuamente artificial. Num dia a gente sonha, noutro a gente acorda. Roubamo-nos. Crescemos, e assim, nos tornamos ladrões dos nossos sonhos e dos sonhos dos outros. Ser feliz é sonhar o céu, é ser autor da própria história e co-autor da história dos outros, ter dúvidas, insegurança, medo. É sentir-se possível mesmo na adversidade, na incompreensão. Ser feliz é ser humano. Quem rouba nossa alegria, rouba nossa humanidade. Tal atitude por vezes é irreversível, queria muito que devolvessem meus sonhos roubados, minhas alegrias afanadas, minha infância surrupiada, meu eu doado.


Eli Negreiros

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Nossa Catequese


     Por precisar de didática, impor respeito e ter postura o catequista tem um pouco de professor, mas não é. Nem os catequizandos são alunos. Somos confundidos como tais, ensinamos, ouvimos, aconselhamos, damos bronca, somos psicólogos, babás, enfermeiros... Mas na nossa essência existe a vocação e a missão. Somos chamados por Deus. E para responder a esse chamado e viver essa missão precisamos correr atrás, suar a camisa, perguntar observar tudo, estudar cada detalhe e pensar muito para chegar numa conclusão certa, onde a felicidade se aproxima da plenitude. Onde aprendemos, não com os erros, mas com o conserto desses erros.
     É isso... nossa missão é exatamente correr atrás de aprender para explicar, de forma simples, aquilo que é realmente necessário. Aprender sobre Jesus, a doutrina que acreditamos, o que diz cada mandamento e sacramento. Será que acreditamos naquilo que pregamos? O catequizando percebe quando falamos com convicção ou falamos por falar. O catequista precisar transmitir nos olhos a alegria ao falar de Jesus. Se ele não faz isso, dificilmente cumprirá bem o seu papel. Jogos, dinâmicas, brincadeiras, músicas, cartazes pouco adiantarão se em ti, no teu sorriso e olhar e em tudo aquilo que tu espera, não mostrarem de forma clara o que está na tua alma. O importante para um bom catequista é acreditar em quem ele anuncia. Apresente o Cristo que você vive e ama.
     Se precisa aprender mais para catequizar melhor, corre atrás, leia, pesquise, pergunte, tire dúvidas, seja catequizado para catequizar. Não creia que tudo vai cair do céu, não fique no comodismo. Busque espiritualidade e conhecimento, assim tu vai se moldando num bom catequista. Não dá para ir empurrando com a barriga, nossa missão não deve ser tratada como brincadeira. A catequese transforma pessoas e consequentemente a sociedade. Formar cristãos de verdade, cristãos que sabem defender as nossas verdades de fé e têm consciência crítica dos desafios apresentados pelo mundo, esse é o nosso objetivo.
     Não é fácil, eu sei. Dá vontade de jogar tudo pro ar. Mas, seria mais desanimador se a nossa confiança não estivesse em Deus e não tivéssemos consciência da vocação. Antes de qualquer ação na caminhada, temos que responder a três perguntas: quero? devo? posso? Nós marcamos a vida das pessoas. Então prosseguimos, reorganizando novas turmas e recomeçando a cada encontro. Isso é dom de Deus.


Eli Negreiros

sábado, 8 de setembro de 2012

O Bobo a chuva e os detalhes

     Uma pessoa boba treina para ser boba. Só um bobo sairia na chuva para observar as poças d'água encherem a cada gota. Os espertos fazem tudo para se protegerem da chuva. o bobo é mais interessado nas poças do que na chuva. Seu interesse maior é reviver a vida ao desenhar, escrever e observar os detalhes corriqueiros e imperceptíveis.
     Quero ser um pouco mais bobo. Dentro de mim existe alguém vagaroso que precisa de tempo. Esse alguém quer um lugar para ficar; quer olhar as poças d'água na chuva - sem proteção alguma - e quero sentir as gotas molhando minha cabeça. Um menino bobo que quer se dedicar mais aos detalhes, por mais bobos que sejam. Quando olho os detalhes, olho o mundo de frente de coração aberto. Pouco a pouco registro as características do ambiente e das pessoas, e,  mais tarde, já sozinho, lembro dos momentos, dos cheiros, gostos, sensações. Passo a ser o portador dos detalhes de histórias que fazem toda a diferença em mim. Não é somente uma chuva que cai, são paisagens que se tornam fotografias em minha mente e ficam gravadas na memória. É meio bobo, mas acalma o coração e a mente, ajuda a manter a flexibilidade para eu ver aquelas rígidas distinções entre a amizade e o interesse das pessoas, o valor bom e o valor não tão bom assim. Com o tempo minha mente vai largando o artificial e agarrando o natural, aquilo que realmente importa e não deixa de ser verdade. Tenho para mim que para os outros, somos reflexos das primeiras impressões. Não enxergamos os detalhes, que são os primeiros que estão por trás de tudo. Observar melhor é dissolver todas as fronteiras, como se tivesse fazendo um esforço para olhar através  da chuva. Um bobo pode ir a qualquer lugar. Não importa se sabe ou se tem que provar alguma coisa. Um bobo olha para as coisas como se fosse sempre a primeira vez. Quando chega a hora de ser bobo, eu sou, e faço dessa experiência algo fascinante.

O Bobo!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Lá vem O dia

Olá povo,
     Com a proximidade da nossa gincana, lembro às equipes de alguns por menores que precisam ser vistos, acertados ou feitos. Primeiro, as equipes que estão com as rifas, por favor, entreguem-me até quarta-feira dia 23 de maio. Não atrasem, senão teremos que descreditar as equipes que não devolverem as rifas. Se não foram vendidos todos os nomes, colocaremos à disposição das equipes que quiserem comprar no dia da gincana.
     Quarta-feira também é o prazo para as equipes repassarem o dinheiro e as fichas de inscrições. Quem já entregou parabéns e obrigado. Já temos o resultado das fotos, os sorrisos já foram lançados na planilha e divulgaremos a classificação no domingo.
     Peço gentilmente a todos, que entreguem os alimentos arrecadados, atestados de doação de sangue e todas as outras pendências até quarta-feira dia 23. A semana vai ser de muita correria e não teremos tempo para quase nada. Por favor, ajudem-nos.
     Por falar em falta de tempo, daremos mais uma oportunidade para as equipes conseguirem alguns sorrisos extras. A Arca de Noé precisa vender algumas camisetas dessa edição da gincana. Como sabemos, elas foram feitas às pressas e não temos pessoa suficiente para revendê-las. Daí, daremos sorrisos, para as Chiquinhas das equipes que venderem as camisetas. Cada camiseta vendida valerá 25 sorrisos. Os tamanhos que ainda temos disponíveis são os seguintes: Baby loock P – 01, Baby loock M – 04, Baby loock G 01, Normal P -08 e Normal G – 03. Cada camiseta custa R$ 20,00. Não é obrigatória a participação. Quem conseguir vender alguma, por favor, entre em contato, os primeiros que fizerem isso terão prioridade. Desde já obrigado.
     Líderes de equipes lindos do meu coração, vocês precisam me mandar o voto da Equipe Feliz. Lembrando que o voto de todos vocês tem que ser para apenas para uma equipe. Águias mandem o voto de vocês. Até a quarta-feira, por misericórdia. A enquete ainda está valendo hein.
Boa Sorte a todos
A semana vai ser de muita ansiedade.

Abraço!

domingo, 13 de maio de 2012

Algumas Fotos


Olá pessoal,
     Falta pouco para o grande dia, então, vamos ao que é de praxe. Abaixo as fotos das equipes que estão competindo nessa prova.
 Big Red Happy - Arrecadação de Alimentos
Big Red Happy - Livre
Legendários - Livre
Soldados de Cristo - Arrecadação de Alimentos
 Soldados de Cristo - Livre


Lembretes:
     Repassem as rifas, por favor. Não segurem muito tempo, elas têm que rodar em todas as equipes. E quem comprou, esperamos a prestação de contas.
     Algumas equipes ainda não repassaram as fichas, não temos mais tempo.
     O tempo para votar na Enquete também está acabando, lembrando que cada voto valerá um sorriso.
     A partir do dia 19 de maio, estarão disponíveis para venda as camisetas do VI alegrai-vos, estão limitadíssimas, então, não esperem para reservarem.
     Durante essa semana, precisamos dos alimentos arrecadados. A Paróquia promoverá uma semana missionária e precisa dos alimentos.
     Lembro a todos da prova dos malabares, do grito de guerra (que terá pontuação própria esse ano) e da alimentação, que cada equipe é responsável pela sua.
     No próximo dia 20, logo após a Santa Missa das 7h30min teremos um lanchão com todas as equipes que competiram esse ano. A equipe que se apresentar com metade dos seus membros mais um, receberá 200 sorrisos. Peço aos líderes que entrem em contato com a organização para falar sobre a contribuição no lanchão, como já foi previamente falado na reunião.
     Está PROÍBIDO qualquer equipe do Alegrai-vos fazer reunião na Paróquia. Por favor, façam as reuniões nas casas dos membros das equipes com algumas já fazem. Se não conseguirem nenhuma casa, podem fazer na minha casa. Se houver insistência, teremos que punir as equipes. Evitem qualquer atrito que venha a prejudicar a nossa missão.
     Também no dia 20 daremos 10 sorrisos por pessoa de equipe que participar na missa das 19h e somente nessa missa. Identifiquem-se como equipe e sejam prudentes.
     Ao vencedor desse ano já conseguimos um passeio para o clube Recanto das Águas.
     Logo após ao Alegrai-vos teremos o Bote Fé em Luziânia. Estaremos lá todos nós jovens da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Todos convidados!
      E para aguçar mais ainda a nossa alegria, segue as fotos dos troféus desse ano. Eu queria ganhar qualquer um deles. São muito bonitos.
Troféu - Equipe Feliz
Troféu - Terceiro Lugar
Troféu - Segundo Lugar
 Troféu - Primeiro Lugar

 




 Lindos né?
Grande abraço e boa sorte a todos!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Avisos

Olá queridas pessoas,

     Faltam 27 dias para o VI Alegrai-vos, o tempo vai encurtando, é hora de acordar quem está dormindo e avivar quem está acordado. Como já havíamos avisado, todas as datas do regulamento serão mantidas, sem que haja contestações ou reclamações. A organização das equipes conta como critério de avaliação para algumas provas. Por favor, leiam e releiam o regulamento da gincana com a equipe, para evitarmos surpresas depois.
     As inscrições para a VI edição do Alegrai-vos encerram-se hoje a meia noite. Como previsto no regulamento, as equipes têm que repassarem junto com as fichas o dinheiro das inscrições, caso contrário, não estarão inscritos na gincana. Quem não conseguir entregar fichas e o dinheiro hoje, perde o direito de alegar quaisquer desvantagens em relação às equipes que entregaram no prazo. E o prazo final para as inscrições é dia 10 de maio.
     Faltam menos que 200 quilos de alimentos para atingirmos uma tonelada. Vamos lá gente, dá tempo para alcançarmos e ultrapassarmos esse número. Já ultrapassamos o recorde de doação de sangue, mas ainda é pouco.
     Ao pessoal que montou ou que ainda quer montar outra equipe, não se esqueçam de darem assistência. Não existe segredo, porém é fundamental que as madrinhas acompanhem suas afilhadas.
A classificação do vôlei ficou a seguinte:

1º lugar: Big Red Happy
2º lugar: Soldados de Cristo
3º lugar: Águias
4ºlugar: Pacificadores

     Lembrando que, quem ainda não entregou o litro de leite da inscrição, entreguem até sábado. Descontaremos 10 sorrisos por litro de leite não entregue.
     A data limite para a entrega das fotos é até o dia 05 de maio, e não mudaremos a data. Lembrando que são duas categorias nessa prova, a arrecadação de alimentos e a com tema livre, leiam as regras no regulamento.
     No próximo sábado, dia 05 de maio, haverá reunião com todos os líderes de equipes da gincana as 18h30min na Matriz, por favor, não faltem. Quem ficou com as rifas entreguem até sábado na reunião. E continuem a votar na enquete.

Boa sorte a todos!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A ingratidão

     É sempre uma grande alegria para qualquer pessoa, receber uma verdadeira demonstração de gratidão da pessoa ajudada. Como é bom sentir e constatar que a ajuda dada foi reconhecida por aquele que a recebeu. Por outro lado, é triste saber que muitos pensam que ser grato é ser pequeno e inferior. Alguns acham que a pessoa tem que ter personalidade firme, determinada, não aceitar criticas, ter voz marcante e não se conformar com reprimendas e ordens. Tão pouco curvar-se numa atitude de agradecimento. Como se agradecimento fosse o mesmo que se declarar inferior ou uma confissão de que precisou do outro, pois que seja então. Devemos, desde pequenos, ter a certeza de que existem pessoas melhores e piores do que nós, sem que isso nos dê o direito de sermos superiores ou inferiores a ninguém.
     Em nossos momentos de fraqueza ou carência, sabemos com quem podemos contar, mesmo quebrando a cara vez ou outra. Receber um favor merecido ou imerecido não é uma atitude de submissão ou inferioridade. Os que pensam ou agem diferente disso são exatamente os ingratos que querem impor-se, e se acham superiores e acima do bem e do mal. Estes sim se sentem dignos de toda a benevolência, compreensão e reconhecimento. Seria o que conhecemos por egoísmo, que é o sinônimo mais cabível à ingratidão. Assim, sabemos quem são os verdadeiros carentes de amor, paz, sabedoria, dignidade e outras qualidades. A ingratidão é a falta de visão, bom senso, sabedoria e humildade. O ingrato não vê o que os outros vêem e sentem, não por que não querem ou não desejam, mas por fraqueza moral e ausência de amor. Na cabeça do ingrato há um vazio que deveria ser preenchido pelo amor ao próximo, e esse vazio se manifesta permanentemente em sua vida, é semelhante ao vício.
     As pessoas ingratas têm o egoísmo como modo de vida sempre presente. Preocupam-se constantemente mais consigo mesmas e pouco se importam com os seus semelhantes. Vivem na particularidade de seu mundo, no qual reinam seus interesses pessoais. Algumas vezes conseguem ser simpáticos e fazem amizades com facilidade, mas jamais se libertam dos próprios interesses, que são colocados acima de tudo e de todos. Tenho pra mim que a ingratidão tem suas raízes na educação familiar, na falta de cultivo dos valores morais. O ingrato vê sempre o lado negativo das coisas e das pessoas, não enxergam os valores de seus semelhantes, mesmo sendo aqueles que o ajudaram. Só ele não percebe que precisa de algo a mais na vida e que depende dos outros para conseguir isso. Resumindo o ingrato é um egoísta, vaidoso, prepotente, carente e infeliz.
     A todos que me ajudaram, obrigado. Sem vocês eu não conseguiria. Deveríamos escolher um dia para ser o dia da gratidão.

Abraço!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Torneio de Vôlei

Olá povo!
Como já é de conhecimento da maioria, no dia 21 de abril de 2012 acontecerá no ginásio o torneio de Vôlei. Será organizado pelo Alessandro (Kblin), porém usaremos o torneio para distribuir sorrisos para quem participar. As equipes formarão times de seis a oito pessoas. Poderão inscrever seus times até o dia 15 de abril. Serão cobrados por jogador inscrito no torneio dois litros de leite, para ajudar na creche das Irmãs no Lunabel. A data para as inscrições é essa e não será alterada. Se houver algum problema com as equipes montadas ou a possibilidade de se montar outra equipe após esse prazo o líder deverá informar-nos imediatamente. Não será aceito que um jogador dispute por mais de um time. As equipes poderão montar times secundários, ou seja, times que não competirão no Alegrai-vos. Cada equipe montada renderá para a equipe montadora 100 sorrisos no placar geral da gincana. A pontuação por classificação do torneio ficará da seguinte forma: 1º Lugar 500 sorrisos, 2º 300 sorrisos, 3º Lugar 150 sorrisos, 4º Lugar 80 sorrisos. Caso os vencedores a subirem no pódio, sejam equipes secundárias os sorrisos irão para os times que essas representam. Poderão ser montados times neutros e que não representem equipes competidoras do Alegrai-vos. Lembrando que as regras do torneio serão ditas pelos responsáveis pela organização. A intensão de todos nós é contribuir para a creche e a nossa diversão.
Aos líderes de equipes, por favor, acelerem a cobrança do dinheiro e das fichas de inscrições da gincana, precisamos com urgência. Quem estiver com as rifas, não as segurem por muito tempo precisamos passa-las por todas as equipes antes do dia da gincana. Intensifiquem a arrecadação de alimentos e a doação de sangue, já estamos próximo ao dia da gincana e recordes precisam ser quebrados. Algumas provas que foram canceladas estão de quarentena  e poderão ou não voltarem ao nosso roteiro. Avisaremos das nossas decisões.
Grande abraço!

quarta-feira, 21 de março de 2012

É melhor assim

Oi pessoal,
Agradeço a todos que participaram das provas extras que realizamos até agora. Elas serviram, na minha clara opinião, para motivar e organizar cada equipe, até mesmo as que não participaram de todas elas. Parte do objetivo com tais provas foi alcançado. De uma visão geral, tudo foi bom. Porém, por motivos alheios e de força maior, as Provas Extras do Rali, Ação Solidária, Um dia para ser feliz, Campeonato de Vôlei, Abraços Grátis e Garrafas Pet serão canceladas do VI Alegrai-vos. Permanece apenas a Enquete, Fotos, Doação de Sangue e Medula, Rifas, Amiga da Onça e Equipe feliz. No entanto, se houver alguma divergência ou qualquer tipo de atrito infeliz, não hesitaremos em cancelá-las. A pontuação das provas que já aconteceram será mantida. As equipes terão até sábado dia 25 de março para entregarem as garrafas que conseguiram. Não prolongaremos a data, quem não entregar no prazo ficará sem a pontuação dessa prova.
Em nome de todo o projeto Alegrai-vos e de todos os nossos ajudantes e colaboradores, peço perdão a todos pelas medidas tomadas, em especial às equipes que recém chegaram à gincana. Parabéns! Percebe-se que são animados e que vão longe. Tais decisões foram tomadas justamente para que vocês desfrutem daquilo que realmente nós, com todo esforço, dedicação e boa vontade fazemos para todos.
E aos outros, por favor, aproveitem mais e melhor daquilo que é de todos nós. Cada um tem o seu papel dentro do Alegrai-vos, não vamos esquecer isso. Acreditem ou não, o nosso esforço, é para que a nossa juventude se divirta sem esquecer quem somos. Seja o começo, seja o fim, sejamos todos semeadores. O amanhã é dia de colheita.
Repetindo, a vida deve ser pautada com as qualidades que temos, e não com as qualidades que nos faltam. Acertando ou errando seguimos aprendendo a ser e fazer melhor. Temos o direito de errar e se fazemos com amor, ninguém poderá nos condenar. Mesmo assim, perdoem-nos pela imperfeição. No fim teremos o que colher.

Abraços!