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sábado, 8 de dezembro de 2018

Carta aos meus segredos


Por onde começar ainda não sei. Talvez, por causa do cansaço, comece pelo fim. Meu passo se encheu pressa, meu braço se encheu de peso. Tentarei pelo fim para ver se consigo arrumar o começo. Então começo por aquilo que preciso e só entendi agora: a calma. Hoje é por isso que eu peço: calma para minh’alma. Me escondo dos próprios medos, fujo dos meus segredos. Me sinto como um trem fora dos trilhos. Por isso, é que peço uma trégua de mim. Diminua tantos aperreios e lutas. Eu não consigo seguir se não maneirar um pouco. Preciso dos freios da calma. Tanto que andei em vão. Tanta perda, quantas ilusões e pressas. Hoje trago um passo pequeno. Quero ser pleno de dúvidas mesmo quando tenho certezas. Permito-me ser fraco e até razões quero perder. Quero ser assim: eu mesmo, aquilo que sou. Ter o poder de acertar o passo e em toda manhã viver o milagre de caminhá-lo. Quero o novo no olhar, na esperança. Sem ser hoje, aquilo que ontem fui. Ter uma oportunidade de seguir tendo a minha frente a felicidade do dom da espera e assim poder lutar e vencer. Sem pressa de chegar a lugar nenhum.

Não sei fingir uma cara de feliz só pra dizer as mesmas coisas que todo mundo diz sempre. Todo mundo sabe o que é certo ou errado. E sei que erro até demais. Segui uma estrada vazia onde poucas vezes soube o que é ter paz na consciência. Hoje eu, e muita gente já sabe, que o tempo é curto para ficar gastando com aquilo que não vale mais a pena. Chorar pelo passado não adianta. É o presente que faz o futuro.  Os sonhos bons precisam ser construídos sobre um firme alicerce onde o chão da consciência é um cais, um porto de boa convivência e de vida livre. Motivos. Buscar motivos para viver livre, poder crescer, existir, dizer o que sente sem precisar mentir. Se vestir da pele que somos e não daquilo que queríamos que fosse.

Quero me olhar nos olhos sem me ver perdido. Vivendo minha própria vida e fazendo dos meus pensamentos as vias dos meus atos. E se eu tropeçar nesses atos, nos fracassos e mentiras que eu saiba levantar e entende que tudo é semente da qual um dia me alimentarei. Mesmo na queda há força. Poder levantar é uma das melhores sensações do mundo. Mesmo sem poder falar, sofrendo e perdido vou continuar firme a andar. Sustentando meus passos mesmo sem saber por onde ir. Só assim, não parando, é que percebo que estou sendo amado. O amor próprio, ah o amor próprio… Sou o guardião daquilo que falo e faço. Já sei mostrar a mim mesmo por onde devo andar. Já sei evitar alguns caminhos e pessoas. Aprendi a tomar conta e as rédeas da minha vida. Me conheço, sou meu amigo.

Sou atrevido o suficiente para querer ser pequeno. E essa é uma das maiores audácias que podemos ter: querer ser pequeno. Assim, pequeno, sou movido pela esperança. Quando sou grande demais tenho expectativas demais. Isso acaba por confundir quais são minhas metas e prioridades. Aprendi a ser pequeno na humilhação diária. Na pedra que ouvi, nos passos que me fizeram seguir sem que tivesse vontade, na magoa. Hoje, poucas coisas me machucam, porque tenho muita experiência. Tenho a graça de ser pequeno e, pequeno, não carrego mais espaço para permitir que que alguém me ofenda. A sabedoria conquistada ao longo do tempo se alimenta do meu silencio. A capacidade que tenho de pensar está equilibrada com a capacidade que tenho de amar. Embora que o pensamento seja involuntário e o amor uma escolha, uma decisão.

Se quero ser lembrado então tenho que lembrar. E isso vale também no caso de esquecer, amar e perdoar. Tudo depende de como alimentamos. Nem sempre a vida joga bem. As coisas se destroem, as lagrimas vem. A gente lembra do que passou. Disso ninguém avisa que vai acontecer. Daí me percebo odiando e desprezando, sufocando o amor. Deixo o orgulho ganhar, e o sonho desmorona, mesmo bem alicerçado. As pessoas acusam, reclamam quando não concordamos com elas. Não tenho culpa e não sou mais enganado com isso. Não tenho mais vergonha de minhas feridas abertas. O que quero para elas é apenas cura. Já não fico mais buscando culpados, sei que a história ainda não acabou, ainda tenho chance. Talvez ela, a história, só esteja começando. Hoje pode doer, amanhã não. As vezes o passado sai de lá, de onde ele está, aparece e machuca, faz chorar. Nessa hora lembro que sou capaz de perdoar. Assim, nada e ninguém me fere, a não ser que eu permita. Aprendi que há muita força em soltar as amarras que nos prende as pessoas. Nunca mais impedi ninguém de ir. Se quiser ficar, que seja na liberdade. Se quiser partir, vá. Ficar ou partir é uma escolha. Quem decidiu ficar ou partir é porque escolheu e ninguém pode tirar esse direito. Não sei quanto a quem parte, mas quem fica já entendeu que vivo de perdão. Ele me levanta. É base para o dom de amar o outro ao qual tanto almejo. A quem parte, cabe desejar uma vida feliz, buscar crescimento, sentido na vida. Só não me impeça de viver bem e em paz. Jamais tire os motivos que me fazem esperar, mesmo caminhando.

As vezes finjo cegueira para me proteger do que ainda tenho medo. Tento me esquivar do amadurecimento. Mas, na alma levo paciência. Quero fazer tudo na calma. Já aprendi que a pressa anda menos. Coleciono algumas pedras, cada uma carregada de magoa e dor. Um dia as lapidarei. Quis um caminho diferente daqueles que me jogaram essas pedras. Posso me olhar nos olhos e querer voar depois voltar e contar por onde andei. Contar sobre as dúvidas e sobre tudo que eu entendi. Poder dizer que voltei para recomeçar mesmo tendo muito o que andar… preciso ouvir mais minha voz. Não quero mais me esconder. Quero me fazer capaz, mesmo quando sei que não sou. Quero ir mesmo sem saber para onde. Quero ouvir meus passos. Se doer então correrei. Quero encontrar ouvidos que me compreendam e não me julgam por aparência ou por pressa em me conhecer melhor, e, que me esperem de verdade. O tempo é inteiro nosso. Quero apenas celebrá-lo.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Carta para a ausência

Querida Ausência,

     Já observou que, quando os nossos desejos não se realizam, as frustrações são certas. E, se nossa expectativa está toda depositada em tais desejos, tudo fica ainda pior. Esperar por algo é bom e fica ainda melhor quando se concretiza. Caso contrario, não é bom. Vivo na espera de um dia poder te sufocar com presenças. Resolvi imitar o vento. Anseio pelo dia que encontrarei ao menos uma presença. Tantas palavras serão ditas e outras tantas silenciadas. Estou aprendendo a esperar. É tanto desejo guardado...
     Acredito que os mesmos ventos que levam embora, também trazem de volta. Apenas permito que o vento siga o seu curso. Espero. Entendo que nem tudo acontece como planejamos. Temos que ser flexíveis, só assim aproveitaremos o trajeto de forma mais tranquila e quando chegar ao final, teremos percebido tudo que compensou.
     Sabe ausência, às vezes penso em todas as estações da vida, em todo o caminho que percorri, em todos os medos. Penso nas pessoas que me sufocaram, naquelas que fazem falta e naquelas que não fazem falta alguma. Penso nas coisas miúdas e fantasiosas, nos outros e em mim. Engraçado como tudo isso vira ausência. Isso mesmo, todos nós, aos poucos vamos nos tornando ausência. Hoje lembro dos meus sonhos e vejo que a maioria já ficou para trás. Chegaram a esse ponto, justamente porque existiam expectativas demais. E quem espera demais, tem mais risco de se decepcionar. Devemos fundamentar nossos sonhos na realidade. Amar, já se tornou sinônimo de coragem. Aqueles que ainda se mantem presente em minha vida são corajosos. Insistem em me amar por coragem e ainda mantém um fio de esperança num amanhã onde eu estou incluído. Aqueles que preferiram a distância não souberam me aceitar como sou. Temos medo de acabar apenas com a nossa companhia. Embora que, seja isso que acaba acontecendo com todo mundo. Não adianta, podemos ter milhões de amigos hoje. Desses milhões, sobrarão poucos que serão presença e desses poucos, todos passarão. O tempo vai nos moldando.
     As pessoas não estão preparadas para nos corresponder. O mundo não está preparado para ser feliz. Temos uma facilidade maior em sermos tristes. Ser feliz, talvez implique em presenças. É difícil ser feliz na solidão. É possível, mas é mais difícil. Vamos criando reticências onde teríamos que colocar um ponto final. Penso muito nas minhas escolhas. Vejo o quanto delas eu tomei por mim mesmo, sem que houvesse intervenção alheia. Foram poucas. Quantas desculpas eu criei para divergir comigo mesmo, para silenciar minha dor. A verdade e o tempo são meus.
     Faz parte da coisa quando se faz parte da família. Se não faço mais parte da coisa é porque não faço mais parte da família. Corremos o risco do inesperado. Somos limitados. Fazemos parte de um jogo de interesses. Já não sei mais onde me sinto seguro. Inventei tanta coisa e proibi outras tantas. Carregava uma malinha cheia de expectativas e hoje já me desfiz dela. Hoje não falo mais de expectativas. Não espero nada de ninguém. Parei com aquele velho costume de inventar meios para manter presenças. Não aumento mais a bagagem da minha malinha de expectativas. Algumas 'peças' fundamentais da minha vida se tornaram 'cacos' que não se encaixam mais em nenhum quebra cabeça do presente. Deixei tudo para trás. Liberei um espaço grande na vida. Resolvi abrir mão de muita gente, e, sem pagar o mal com o mal, dou importância somente a quem demostra reciprocidade. Faço isso calmamente como tem que ser. Entendi que expectativas geram frustrações quando depositadas sobre ombros despreparados. Não é fácil construir vontades, justamente porque exige tempo e calma. Sabe ausência, sei que ainda tenho muito a oferecer. Sei que somente a minha presença não me basta. Mesmo sem expectativas, e com medo, ainda falo de amor. Com a leveza de uma agora vivido sem pressa nenhuma e com a certeza de que no fundo, só quero um lugar para voltar.

Teu amigo

Eli Negreiros

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Enquete VII Alegrai-vos

Olá Gincaneiros,

     A enquete já está valendo. É só escolher a sua equipe de competição ou de torcida e votar. As equipes que não se manifestaram poderão participar posteriormente, sem que haja contestação com relação às equipes que já estão participando da votação. A forma de pontuação nessa prova será anunciada no dia da Gincana. A votação segue até o dia 18 de setembro de 2013, até as 23h50min. A participação da equipe na enquete não justifica a participação na gincana. É necessário o preenchimento e entrega da ficha de inscrição, juntamente com a taxa. Ambos descritos no regulamento, que está disponível no grupo da gincana no facebook. Boa sorte e votem muito.

Eli Negreiros

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Carta para mim mesmo V

   
Querido menino,

     Sei que nesses últimos dias que passou, tu viveste angustiado, por conta de algumas coisas e pessoas. Por isso, resolvi mais uma vez, te alertar sobre algumas coisas. Tudo que se passou foi totalmente previsível. Um pouco mais de tempo atrás, já tinha te alertado sobre algumas situações. Nada foi uma surpresa. Já tinha te falado sobre aquilo que vale, e aquilo que não vale a pena. Pois é. Para te lembrar mais uma vez, vamos vestir de palavras alguns quês e porquês. Teve um dia que você decidiu não esperar mais nada de ninguém. Não que essa decisão fosse tomada de um dia para a noite. Levou um tempo. E talvez a culpa nem foi tão sua assim. Chega uma hora que a gente cansa, entende? Chegamos a um ponto em que simplesmente paramos de acreditar. Em coisas e pessoas. Não tenha isso como uma visão derrotista ou de pessimismo. É que a realidade bateu forte na sua cara. Parou de acreditar numa serie de mentiras. Um belo dia você começou a ver as coisas como elas são. Isso é lógica. Talvez o problema estava no seu esquecimento de como as coisas são de verdade. A sua memória estava alienada e só via o lado bom, doce. Mas, não é bem assim. Existe um outro lado também. Lágrimas, tropeços, mágoas, percalços, defeitos... Tudo isso existe. E bobo é quem não encara isso como realidade e de frente. Eu resolvi lutar, encarar. Isso é viver na realidade. Seres humanos sempre querem ter razão. Você mesmo é assim. Mas, nem sempre temos. E as pessoas não são sempre açúcar. E nem devem ser. A memória nos engana toda hora. E você é o tipo de pessoa, que os outros sempre vão lembrar da parte amargosa. Já te falei que as pessoas acreditam na verdade quando a verdade lhe convém. Caso contrário, verdades serão sempre mentiras. E pessoas verdadeiras sempre serão vistas como algozes.
     Um dia tu resolveu não ter mais expectativas. Chegou uma hora que cansou dessa lenga lenga. Esperar as pessoas doeu muito. Agora, o que eu acho bom mesmo, é não esperar mais nada e de ninguém. Porque não agiu assim desde o princípio? Quanto tempo perdido. Quanta coisa não vivida. Planos deixados para o lado. Aquela história de que sonhar junto é melhor procede, sim é verdade. Porém, independe menos de quantidade e mais de qualidade. Algumas pessoas são dispensáveis. E, me arrisco em dizer que a maioria é. Outras pessoas são necessárias. Geralmente estão dentro da família. Os melhores amigos, são os de casa mesmo. Se não é capaz de te entender e aceitar, não merece tanto ibope assim. Conte apenas contigo mesmo. Com suas forças e fraquezas. Sua capacidade e suas limitações. O que vier será acréscimo e menos frustante se não esperar tanto. Pessoas vem e vão. Não se importe se amanhã ou depois, você mude de ideia. Normal. És quem és. Do início ao fim.
     Não se importe se vão te entender ou não. Talvez não queiram. Por falta de vontade, noção, humildade ou tempo. Somos todos, primeiramente, individualistas. Fato. Embora que as palavras sejam sempre 'nós', o 'eu' sempre será prioridade. Se estou bem, então está tudo bem. Assim que funciona. O que aparece além disso, já me soa como publicidade de si mesmo. Sempre foste daqueles que se doa. Tinha expectativas. Quem não tem? Hoje ainda tem as mesmas expectativas. Porém, menos intensas e de menos, bem menos pessoas. Não pode lutar contra isso, é algo que já veio com você do berço. A diferença é que agora resolveu aceitar. Não espere que os outros tomem as mesmas atitudes que você. Isso é frustração certa. O seu jeito de ver muitas coisas mudou, lhe permitindo viver sem ficar se protegendo o tempo inteiro. É mais arriscado. Mas, é mais verdadeiro. E ainda rende muita história para contar. Se tem vida em você, então viva. Não se importe mais com fotografias antigas. Tudo passou. O que foi bom permanecerá na memória. Se todos acharem que desistiu, continue. Simples assim.

Teu amigo,
Eli Negreiros

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Carta para mim mesmo IV



Amigo Eli,
   
     Para atender o teu próprio pedido, venho aqui novamente. Mais uma vez para escrever, e virei outras tantas vezes para te reler. Gosto de reler o que escreves, embora isso me pareça egocentrismo. Que seja então. Sempre fico sorrindo, tentando achar qual foi a motivação para escrever o texto. Suas letras, por vezes, são cruas. Tua escrita, tuas palavras, tudo muito curioso. Elas contém uma interessante ambição. Fico vendo e revendo. Quantas dúvidas. Já não és mais o que eras e dificilmente voltará a ser. Há cheiros, sorrisos, cores e sabores que te remetem a situações, que sei que se questiona se realmente viveu. Tens se tornado um ser frio. Embora que, ainda continua com um coração grandeAprendeu a ter autocontrole. Me assusta essa tua frieza tão clara, que tens com os afetos tão teus. Talvez sejam as cicatrizes que lhe causaram que te façam lembrar que tudo passa, seja bom ou mau. O fato é que, nesse teu inverno particular, aprendeu a se proteger do frio. Enquanto todos se envolvem com histórias eternas de pessoas passageiras, tu observa envolto à mantas quentinhas, tudo isso regado a doses, também quentes, de realidade. Prefiro ver todo esse joguinho de fora. Estou esperando os meus pés sararem, para voltar a caminhar. Ainda há um longo caminho pela frente. Apesar de toda frieza, continua indomável e duvido que algum dia isso mude. É um ser com personalidade. E seres com personalidade incomodam.
     Como gosto de ti, querido Eli. Palavras serão sempre insuficientes para isso. As vezes elas não me servem de nada. Tudo se transforma em nada quando tento dizer ou demostrar o quanto gosto de ti. Não consigo. Mas, é fato que entre você e eu deve haver um problema. Talvez seja você, talvez seja eu. Tem que haver um culpado. Você sabe quando devo sair para navegar e quando devo ficar atracado ao cais. Sabes me levar aos extremos. Não liga para a minha cara fechada e meus braços cruzados. Fica sorrindo das minhas seriedades. E leva a serio os meus sorrisos. Não me permite mais discutir por futilidades com era acostumado fazer. Tenho duvidas se isso é bom.
     Muitas letras ainda dançam dentro de você. Gotinhas, comparadas ao oceano que te passa diante dos olhos. Embora que seja um turbilhão controlado, ainda segue sem rumo definido. Há uma primavera pela frente, indiferente a toda essa frieza. Teimoso. Ainda mantém o coração quente e uma alma firme. A essa altura da vida, já pode se dar ao luxo de saber quem é cordeiro e quem é lobo, ou não. Pode excluir quem faz ruido e conservar quem conhece teu coração e o cuida como seu. São poucos, acredite. Laga de mão, aqueles que não te dizem mais nada. Talvez valha a pena para outras pessoas, mas não para você. Deus lhe trará outros, para um novo começo. Foca nas dádivas que te motivam e cresce. Não importa quantas pessoas você pode falar que te ama de verdade. Não importa o vácuo que alguns deixaram, os anos de partilha... Não importa o silêncio que hoje habita em você. Isso acontece. Chega um época da vida que é preciso podar as roseiras, separar o joio do trigo e nada te impede de fazer isso. Nada mais importa. Recomece! Eleja prioridades. Acho que é ai que o teu umbigo é posto à prova. Prioridades... deixa elas ecoarem em ti. Se ganhei algo convivendo contigo, foram os pés no chão. E isso não te impede de sonhar. Sei disso porque sonho por você e por mim. Em nós.

Eli Negreiros

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Carta para mim mesmo III


Querido Eu,
   
     Não é porque eu gosto de escrever, que te escrevo. Como sabe, acho que não passas de pouca coisa. Mas, vamos seguir. O motivo da minha escrita a ti, é porque, me parece, que só tu é capaz de me entender. Somente você compreende cada início de parágrafo e cada ponto final. Por vezes, pergunto-me o que queres afinal. O que te leva a pegar papel e embebecê-lo com rabiscos, palavras que poucos entendem? Embora saiba que não escreve para que te entendam, escreve para se libertar. Qual a necessidade da métrica das suas palavras?
     Se me permite, quero confessar-te um pequeno segredo: também tenho segredos, qual a pessoa que não tem? Pode pensar que é devaneio meu, mas, tenho medo do que escrevo. Minhas palavras carregam uma força invisível, exponho muito. Acumulo nelas muitas mágoas, embora que amenizadas pela distância, e as solto como uma flecha mortal. E depois meu bom amigo, preciso me despir, e a forma mais racional que encontro é escrever. A sorte é que consigo enigmatizar tudo que me vem à cachola. Um dia conseguirei soltar tudo aquilo que está moído em ti, o silêncio ganhará uma voz clara e compreensiva. Também sinto o frio nos olhares acusadores dos não entendedores. Hoje sua caminhada começa e segue em recordações, referências e só. Como se tudo e todos estivessem estacionados no tempo. Tempo esse que não volta. Leituras, fotos, objetos, lembranças, saudades... tudo ficou para trás. Lugares que não colocarei mais os pés, mas que reconheço no primeiro reflexo... corações. Só posso escrever a ti, não sobrou mais ninguém a quem possa fazer isso. Ninguém me entenderia tão bem, como você. Sei que passas o mesmo que eu. Somos uma ameaça a qualquer um.
     Toda vez que sinto vontade de despir-me da casca, me visto do medo invisível e te falo. Aprendi. Não te revelo todos os meus medos, nunca te disse isso, mas acho que nem é preciso. Pergunto a Deus porque não me encaixo. Porque passei a odiar futilidades e a adiar conversas que já deveria ter tido. É verdade que aprecia bem mais o silêncio agora. Passei a achar um desperdiço de tempo usar palavras vãs que nunca serão compreendidas ou aceitas por pessoas da mesma forma vãs, que prometem e não cumprem... Meu amigo, levante a cabeça, seja você mesmo e siga.
     Como eu gosto quando me fazes falar, quando arranca de mim toda pele e deixas-me sem defesas, acuado e sem saídas. Gosto quando me lê. Ao final de um tempo, sinto-me feliz por está vivo e por ser fértil de imaginação. Outro dia te mostro um capítulo da história que escrevi sobre você. Só não te mostro agora porque não decidi se o herói morre no final, para salvar o mundo, se ele sobrevivi sem memória com seu fiel cavalo ou se segue sua vida de herói. Assim vou seguindo, nas palavras despindo o mundo, embalando toda a descoberta, mascarando toda cura. Meu amigo, nas palavras que te beijo, nas linhas que te abraço, peço que não se afaste, pois preciso de ti. Quando me visitar, demore o suficiente para plantarmos novas sementes. Cultivá-las dará muito trabalho.

Eli Negreiros

terça-feira, 18 de junho de 2013

Trinta

     Outro dia, li em algum lugar, que aos 25 anos o ser humano começa a perder água da pele. Daí, o porque da pele, da parte de cima da mão, ficar fininha. Coisa de velho. Já estou quase paranoico de tanto olhar para minha mão. Depois li que aos 35 a pele tem menos elasticidade. Lascou tudo! Com 50, derrete, só pode. Nesse mesmo texto diz que aos 30 anos perdemos em média 50 mil células cerebrais por dia. Sem brincadeira nenhuma, estou muito preocupado com isso. Quem foi que falou que eu estou em condição de perder alguma coisa. Ainda mais as células cerebrais. Agora imagina, 50 mil células por dia... quantas no ano? É claro que não vou fazer essa conta. Depois de uma idade, começamos a esquecer onde colocamos as chaves de casa, o nome de uma pessoa ou outra, datas comemorativas, mas nada que uma boa desculpa não resolva. Agora, conviver com esses números pavorosos que a ciência joga nas nossas fusas, é preocupante.
     Sei lá, talvez fosse o caso de começar a procurar um geriatra. Será que meus rins estão funcionando bem? E o meu coração? Meus pulmões...? Meu Deus, olhai por mim! Não permita que eu fique neurótico. Olha as minhas células, olha as minhas células! Pra que esses dados mesmo? Não basta ver os cabelos caídos na pia? Nada se perde tudo se transforma, tudo se transforma... Tenho medo da traição da minha visão, estou mesmo achando que devo ir ao oftalmologista. E se o meu paladar não for mais o mesmo? É a gota. É o fim! Meu reservatório de células está baixando. Depois dos trinta, não vou mais contar anos. Alias, parei de contar aos 25. Conto apenas vitórias.
     Aos trinta, perder peso fica mais difícil e perder cabelo fica mais fácil. Triste sina. Você não é maduro o suficiente para se passar por adulto, nem suficientemente jovem para voltar a ser criança. Essa coisa de "tio" é o fim do mundo. Falar gírias, para uma pessoas de trinta é ridículo, e, se fala corretamente, é taxado como metido e quer saber tudo. Se já é casado, fez besteira, tanta coisa para aproveitar na vida. Se ainda não casou, tem alguma coisa errada.
     Caramba ... Trinta! 30! 10+10+10, 20+10, 15+15 ... Rir ou chorar? Tudo isso faz a gente pensar na vida. Tirando a história das células... São caminhos que a gente trilha. Só isso. Talvez uma das melhores fases da vida. Seguimos com as dificuldades, alegrias, tristezas, vitórias e derrotas, mas seguimos. Putz, quanta coisa já aconteceu. Tantos sonhos. Algumas questões da vida mais claras e compreensíveis Outras nem tanto. Não é para qualquer vinte e poucos não. Trinta é descobrir-se no tempo. Antes era espaço, agora é tempo. É mais objetividade. Hora de fazer valer a pena. É a idade de saber mais sobre os limites das coisas. Maturidade. Instintos pulsando. Será que fazer trinta anos é mais serio do que eu pensava? Não, não é. É simples e extraordinário, assim, tudo junto.
     Não vou ficar na neura. Acho que amadureci da melhor forma possível, não esqueci de ter um coração de criança. Minha cabeça continua curiosa como a de um guri. Nessa idade, já sabemos que um tempo de nós se passou. Nos tornamos dilema. Tenho bem menos amigos do que imaginava, mas o que importa, é o quanto eu consigo ser amigo de alguém. Não me preocupo mais em me exibir como pedra preciosa, não me cabe valores. Aos trinta passamos de quantidade a qualidade, de reta à curva, de loucura à prudência, de pressa à paciência, de impulso a sabedoria. Trinta é o primeiro grande estágio da vida. É um começo bom.
     Trinta é um tempo que fica guardado, esquecido, adormecido no peito e de repente rebenta-se, explode, desperta ... e o coração, embora que cansado, desprovido de motivação, ganha nova roupagem, suspira. Tudo fica mais simples e sincero. Tudo virá combustível. É amar-se! Agora sim, entendo o que disse o poeta: "é fogo que arde sem se ver... é um andar solitário entre a gente". Trinta!


Eli Negreiros

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Carta para mim mesmo II

Querido Eu,

     Mais uma vez dirijo minhas palavras a ti. Sei que é cansativo, e depois, pouco vai lembrar do que falei. Falo mesmo assim. Muitas vezes fico na dúvida se vale a pena dar tanta atenção a você. Tanta coisa melhor aí fora... Deveria se escutar mais, se consultar. Com certeza aumentaria o seu senso crítico e falaria menos merda. Ou pelo menos acreditaria mais nas merdas que fala. Sei lá. Fale menos, mas fale aquilo que  realmente acredita. Não se importe se amanhã ou depois tenha que mudar de ideia. Isso é um direito que todo mundo tem, inclusive você. Nessa vida é normal que sejamos repetitivos, que tenhamos que falar de novo, repensar, rescrever. Normal. Com o tempo, depois de apanhar muito, sei que aprendeu algumas coisas sobre as pessoas e a verdade. Tens ficado mais esperto a cada dia que passa. Indicio de que aproveita bem o que o tempo te ensina. É isso aí, meu garoto!
     Dentre as muitas coisas que aprendeu, vejo-te observar como as pessoas não querem ouvir verdades completas. Ninguém quer ouvir uma verdade que não seja de bom grado, ao menos para ela mesma. O povo gosta mesmo é do tantinho de ilusão que conforta. Entenda que, quando a verdade não agrada plenamente e não interessa a quem ouve, ela sempre será compreendida como mentira. Espere isso das pessoas. Acostume-se! Afinal de contas, somos um bando de humanos imperfeitos tentando conviver uns com os outros. Não gostamos de verdades que nos contrariam. Mas, elas existem. Se não anda no terreno da verdade, será prisioneiro de discursos falsos e cheios de maquiagem. A fala verdadeira não trava, tem a cara limpa. Não hesita. Faz doer em quem fala e em quem escuta. Diga a verdade e fim. Nunca espere aceitação completa, mas mantenha a posição. Quando falamos uma verdade, as consequências virão em seguida. E não serão, necessariamente, agradáveis, confortáveis. Mas certamente, com o tempo, provará ser o decente, o bacana, o correto. O justo. Será o certo! Pronto!
     Tudo falha. Tudo muda. Temos uma visão muito limitada das coisas. Nossas verdades passam por filtros individuais limitados e falhos. Ao longo do caminho vamos perceber que algumas verdades que conhecíamos também são falsas. Temos uma capacidade limitada de observar o mundo.
     Quem não se olha não se vê. Reconhecer o próprio erro é uma arte. Hoje eu me percebo errado quando estou errado. Isso impede que eu seja algo além de um ser tonto que topa com os outros, desatento. Assim me descubro, me vejo. Decepções, esperas e partidas, quedas, perdas... Tudo que te derruba dói, mas solidifica quem você é. A maneira como você encara a derrota ditará quando e como será a sua próxima vitória. Tudo muda com o tempo. As relações. Amores, paixões, amigos, o foco, a paciência. Um dia tudo ficará diferente daquilo que você conheceu. Um dia, todo o passado deixa de fazer parte do futuro. E você se acostumará com isso. Acredite!

Eli Negreiros

terça-feira, 19 de março de 2013

O texto que não escrevi

     Pensei em escrever um texto grande. Grande não, imenso. Muito maior que as trinta linhas das redações. Os verbos no passado deveriam sempre dá inicio aos parágrafos, que por sua vez, sempre começariam com aquela margem de um dedo. Letra caprichada, a melhor possível. Sabe aquela em que demoramos para desenhar as maiúsculas? Ela mesmo. O texto não se prenderia ao passado. Ele divagaria, em seus meandros, para o presente. E ainda sem rumo, acampava no futuro. Cada momento do texto seria minuciosamente descrito. As palavras desenhariam muitas coisas boas e bonitas. A intenção era juntar cada letrinha, e abusar de um certo narcisismo português. Iria caracterizar meu texto com o melhor da língua. Tinha que ser digno da Academia Brasileira de Letras. Quem o lesse, suspiraria de emoção. Me daria muito orgulho.
     Porém, ele não saiu. Não consegui pensar muito. Suspirava, mas por falta de inspiração. Um branco invadiu a minha mente. Sabe aquele branco da redação da escola ou do concurso? Ele mesmo. Agora só escrevia linhas longas, que dificultava a compreensão. Não dava vontade de ler, reler ou decorar. Antes, queria que o texto dissesse tudo, e agora ela não diz nada. Os instantes que pensei se tornaram incompreensíveis do começo ao fim. Tudo saiu da ordem lógica. Delonguei as palavras, perdi a objetividade dos verbos e a precisão dos tempos conjugáveis. Minhas idéias foram transcritas pra o mandarim. Lê-las e compreendê-las era impossível.
     Foi assim que aconteceu. Fiz um texto vazio, onde as palavras odiavam se unirem. Me trouxe mais dúvidas do que certezas. Um texto gélido. Nem razoável era. Não fez o coração bater mais forte, não causou calafrios ou arrepios. Sufocou ao invés de fazer suspirar. Me fez perder a sequência das letras. Perdi o fio da meada. Emudeci os sons. Escamei os olhos em lágimas não mais plausíveis, indignas e de fracasso. O texto não teve fim, por que não teve um começo. As linhas não se desenrolaram, não se encaixavam. Não especifiquei nada. Era um corpo desconjuntado e mau formado. Até esbocei um título. Também ficou péssimo. Tentei uma introdução ao tema e nada. Os meios eram injustificáveis. Os fins não se findavam ou se fundamentavam em algo. Quebrei muito a ponta do lápis, rasurei folhas e folhas. Horas e horas no vazio. Minha mente me deixou no vácuo. Rasguei todos os rascunhos, não passei nada a limpo. O texto não foi escrito, nem lido. Embora que a folha destinada a ele ainda está no meu caderno. Toda branca!

Eli Negreiros

terça-feira, 5 de março de 2013

O medo

Se posso falar algo sobre o medo, eu diria que ele é o único adversário efetivo da vida. O medo pode derrotar o homem. É um oponente traiçoeiro e esperto. Não se incomoda em não ter decência, não respeita leis, não age com piedade. Se tem uma coisa que ele acha com facilidade é o nosso ponto fraco. Sempre começa pela mente. Num momento estamos calmos confiantes, contentes. Daí, o medo, mascarado como uma ligeira dúvida, penetra a nossa mente para espioná-la. Com a dúvida deixamos de acreditar, ficamos ansiosos e lutamos contra a razão. Vem a fraqueza e a hesitação e a ansiedade se transforma em pavor. Acho que é mais ou menos isso.
O medo, mantem-se concentrado em nosso corpo, que a essa altura já sabe que algo terrível vai acontecer. A boca fica seca. O tremor é inevitável. Ficamos surdos. Faltam as pernas, ficam bambas, o coração parece diminuir, sem falar da sensação de que vamos urinar mesmo sem querer. Tenso. A nossa consciência não se dá conta da tragédia que isso causa. Cada parte de nós, do seu jeito, entra em colapso. Somente a visão permanece imaculada. Os olhos dão a devida atenção ao medo. Até parecem aliados, amigos de infância. É impressionante como tudo toma proporções gigantescas quando estamos com medo.
     As decisões precipitadas são tomadas de imediato. Abrimos mão da esperança e da confiança, que são as únicas aliadas que nos restam. Pronto! Terminamos por derrotar a nós mesmos. Somos vencidos pelo medo, que não passa de uma impressão. É verdade que chega a ser ridículo, mas é isso que acontece, não ha como negar. Agimos de modo instintivo, e expressamos o medo de uma forma disfarçada, como se estivesse sentindo outra emoção. Usamos de máscaras como: a irritação, o desespero, a solidão, a paralisia.
Não dá para expressar assim facilmente com as palavras. O medo se instala em nossa memória como um parasita. Estraga tudo, até mesmo as palavras. Falo do medo de verdade, aquele que desestrutura nossos alicerces. Expressá-lo exige esforço. Torná-lo claro para nós é questão de sobrevivência. O nosso medo tem que ser conhecido por nós mesmos, só assim saberemos combatê-lo. Se não o conhecemos abrimos a guarda e sofremos novos ataque, pois, nunca enfrentaremos pra valer o adversário que nos derrotou. É preciso conhecer o inimigo a ser derrotado. Conviver com ele não é fácil. Mas, nesse caso é preciso correr esse risco. De uma certa maneira é bom sentir medo. Ele mostra onde estão as nossas limitações. Não há pessoa que não tenha medo, todos temos medo de algo na vida. Podemos até perder alguns medos, mas sempre surgirão outros. Faz parte do nosso crescer. O medo é texto que preenche a vida. Admita ser medroso! E quem não é? Ter medo não é covardia. Só os corajosos preferem não lutar. Ter medo é o nosso próprio direito de ir e vir, ou, de não ir e não vir. A escolha é sempre nossa.

Eli Negreiros

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A ingratidão

     É sempre uma grande alegria para qualquer pessoa, receber uma verdadeira demonstração de gratidão da pessoa ajudada. Como é bom sentir e constatar que a ajuda dada foi reconhecida por aquele que a recebeu. Por outro lado, é triste saber que muitos pensam que ser grato é ser pequeno e inferior. Alguns acham que a pessoa tem que ter personalidade firme, determinada, não aceitar criticas, ter voz marcante e não se conformar com reprimendas e ordens. Tão pouco curvar-se numa atitude de agradecimento. Como se agradecimento fosse o mesmo que se declarar inferior ou uma confissão de que precisou do outro, pois que seja então. Devemos, desde pequenos, ter a certeza de que existem pessoas melhores e piores do que nós, sem que isso nos dê o direito de sermos superiores ou inferiores a ninguém.
     Em nossos momentos de fraqueza ou carência, sabemos com quem podemos contar, mesmo quebrando a cara vez ou outra. Receber um favor merecido ou imerecido não é uma atitude de submissão ou inferioridade. Os que pensam ou agem diferente disso são exatamente os ingratos que querem impor-se, e se acham superiores e acima do bem e do mal. Estes sim se sentem dignos de toda a benevolência, compreensão e reconhecimento. Seria o que conhecemos por egoísmo, que é o sinônimo mais cabível à ingratidão. Assim, sabemos quem são os verdadeiros carentes de amor, paz, sabedoria, dignidade e outras qualidades. A ingratidão é a falta de visão, bom senso, sabedoria e humildade. O ingrato não vê o que os outros vêem e sentem, não por que não querem ou não desejam, mas por fraqueza moral e ausência de amor. Na cabeça do ingrato há um vazio que deveria ser preenchido pelo amor ao próximo, e esse vazio se manifesta permanentemente em sua vida, é semelhante ao vício.
     As pessoas ingratas têm o egoísmo como modo de vida sempre presente. Preocupam-se constantemente mais consigo mesmas e pouco se importam com os seus semelhantes. Vivem na particularidade de seu mundo, no qual reinam seus interesses pessoais. Algumas vezes conseguem ser simpáticos e fazem amizades com facilidade, mas jamais se libertam dos próprios interesses, que são colocados acima de tudo e de todos. Tenho pra mim que a ingratidão tem suas raízes na educação familiar, na falta de cultivo dos valores morais. O ingrato vê sempre o lado negativo das coisas e das pessoas, não enxergam os valores de seus semelhantes, mesmo sendo aqueles que o ajudaram. Só ele não percebe que precisa de algo a mais na vida e que depende dos outros para conseguir isso. Resumindo o ingrato é um egoísta, vaidoso, prepotente, carente e infeliz.
     A todos que me ajudaram, obrigado. Sem vocês eu não conseguiria. Deveríamos escolher um dia para ser o dia da gratidão.

Abraço!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Torneio de Vôlei

Olá povo!
Como já é de conhecimento da maioria, no dia 21 de abril de 2012 acontecerá no ginásio o torneio de Vôlei. Será organizado pelo Alessandro (Kblin), porém usaremos o torneio para distribuir sorrisos para quem participar. As equipes formarão times de seis a oito pessoas. Poderão inscrever seus times até o dia 15 de abril. Serão cobrados por jogador inscrito no torneio dois litros de leite, para ajudar na creche das Irmãs no Lunabel. A data para as inscrições é essa e não será alterada. Se houver algum problema com as equipes montadas ou a possibilidade de se montar outra equipe após esse prazo o líder deverá informar-nos imediatamente. Não será aceito que um jogador dispute por mais de um time. As equipes poderão montar times secundários, ou seja, times que não competirão no Alegrai-vos. Cada equipe montada renderá para a equipe montadora 100 sorrisos no placar geral da gincana. A pontuação por classificação do torneio ficará da seguinte forma: 1º Lugar 500 sorrisos, 2º 300 sorrisos, 3º Lugar 150 sorrisos, 4º Lugar 80 sorrisos. Caso os vencedores a subirem no pódio, sejam equipes secundárias os sorrisos irão para os times que essas representam. Poderão ser montados times neutros e que não representem equipes competidoras do Alegrai-vos. Lembrando que as regras do torneio serão ditas pelos responsáveis pela organização. A intensão de todos nós é contribuir para a creche e a nossa diversão.
Aos líderes de equipes, por favor, acelerem a cobrança do dinheiro e das fichas de inscrições da gincana, precisamos com urgência. Quem estiver com as rifas, não as segurem por muito tempo precisamos passa-las por todas as equipes antes do dia da gincana. Intensifiquem a arrecadação de alimentos e a doação de sangue, já estamos próximo ao dia da gincana e recordes precisam ser quebrados. Algumas provas que foram canceladas estão de quarentena  e poderão ou não voltarem ao nosso roteiro. Avisaremos das nossas decisões.
Grande abraço!

quarta-feira, 21 de março de 2012

É melhor assim

Oi pessoal,
Agradeço a todos que participaram das provas extras que realizamos até agora. Elas serviram, na minha clara opinião, para motivar e organizar cada equipe, até mesmo as que não participaram de todas elas. Parte do objetivo com tais provas foi alcançado. De uma visão geral, tudo foi bom. Porém, por motivos alheios e de força maior, as Provas Extras do Rali, Ação Solidária, Um dia para ser feliz, Campeonato de Vôlei, Abraços Grátis e Garrafas Pet serão canceladas do VI Alegrai-vos. Permanece apenas a Enquete, Fotos, Doação de Sangue e Medula, Rifas, Amiga da Onça e Equipe feliz. No entanto, se houver alguma divergência ou qualquer tipo de atrito infeliz, não hesitaremos em cancelá-las. A pontuação das provas que já aconteceram será mantida. As equipes terão até sábado dia 25 de março para entregarem as garrafas que conseguiram. Não prolongaremos a data, quem não entregar no prazo ficará sem a pontuação dessa prova.
Em nome de todo o projeto Alegrai-vos e de todos os nossos ajudantes e colaboradores, peço perdão a todos pelas medidas tomadas, em especial às equipes que recém chegaram à gincana. Parabéns! Percebe-se que são animados e que vão longe. Tais decisões foram tomadas justamente para que vocês desfrutem daquilo que realmente nós, com todo esforço, dedicação e boa vontade fazemos para todos.
E aos outros, por favor, aproveitem mais e melhor daquilo que é de todos nós. Cada um tem o seu papel dentro do Alegrai-vos, não vamos esquecer isso. Acreditem ou não, o nosso esforço, é para que a nossa juventude se divirta sem esquecer quem somos. Seja o começo, seja o fim, sejamos todos semeadores. O amanhã é dia de colheita.
Repetindo, a vida deve ser pautada com as qualidades que temos, e não com as qualidades que nos faltam. Acertando ou errando seguimos aprendendo a ser e fazer melhor. Temos o direito de errar e se fazemos com amor, ninguém poderá nos condenar. Mesmo assim, perdoem-nos pela imperfeição. No fim teremos o que colher.

Abraços!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Adiante!

Paz e Fogo!

Segue o resultado da Coreografia:
1º A7X
2º Soldados de Cristo
3º Legendários
4º Fênix
Parabéns às equipes que participaran dessa prova e perdão pelo erro cometido e consertado.

     A próxima prova extra (Futebol de Botão) acontecerá no dia 10 de março de 2012, a partir das 14h00minh em frente ao Salão Paroquial. As equipes escolherão até DOIS membros inscritos na Gincana para disputarem um torneio. As regras do torneio serão ditas nas vésperas ou no dia do torneio. Dependemos do número de competidores para criar as regras. Nesse torneio não há classificação por gênero, a escolha dos jogadores fica a critério da própria equipe.

Atenção:
     Mundamos a data do Rali, que aconteceria no dia 29 de abril, pois nesse dia, em nossa paróquia teremos o Encontro de Jovens com Cristo - EJC. Antecipamos para o dia 01 de abril de 2012, então... Boa sorte, vão precisar.
     Iniciaremos a Enquete, não vamos mais esperar. As equipes que irão formar outras equipes tiveram tempo suficiente para fazerem o que é de costume. As equipes que serão formadas no decorrer da gincana, não serão prejudicadas por não participarem da enquete.

     Como havia dito antes, no ano passado, demos o título de equipe mais animada do V Alegrai-vos ao A7X. A partir dessa VI edição do Alegrai-vos daremos novamente esse título a uma equipe. É um troféu simbólico e que não interferirá no resultado geral da gincana. A equipe mais disciplinada, coerente com o objetivo do evento, não envolvida em confusões ou não criadoras delas, preocupada mais com a própria equipe e menos com as equipes alheias, organizadas, compreensivas, respeitosa com as demais equipes e com a Arca de Noé e que realiza as provas com os princípios básicos da boa educação da calma e da boa conduta, receberão o troféu de EQUIPE FELIZ e ainda 5.000 sorrisos para o VII Alegrai-vos (essa medida só valerá a partir desse ano). Esse título será definido da seguinte forma: um voto será dado pelos líderes de todas as equipes, esses deverão entrar em consenso e votarem em uma equipe, os demais votos serão dados pelos principais organizadores da gincana membros da Arca de Noé e colaboradores que acompanham o desenvolvimento do evento. Vamos lá, pode parecer difícil, mas não é impossível!
 
Grande Abraço!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Arthur

Tão lindo menino chegará com a luz. Na graça de Deus, na espera da vida e nos sorrisos largos. Acende no mundo uma bela canção, um eterno amor. Os raios do sol se unem em um, se tornam um príncipe chamado ARTHUR...


quinta-feira, 7 de julho de 2011

A maior Alegria do mundo

   Como é bom carregar o céu comigo, um tesouro, uma bela voz. Cada respirar, cada passo, cada palavra, todos os momentos e os sorrisos que ainda não sei como são. Parecem balançar o meu ser. A voz que escuto é assim, cheia de esperança e amor. Agora fico esperando uma imensidão de beijos e abraços.
     Já caminha comigo, pois é caminhando que te espero. Se eu pudesse desenhar o amanhã, ele seria a mais linda obra de arte. Agora tudo se renova tudo se enche de graça e sentido.
     Numa noite me chamava, pedia para chegar mais perto e conversar. O único acordado ali era eu, vigiando o jeito como se formava. Um rio nascia nos olhos.
     Já tenho uma ideia mais madura e melhor do que me espera a vida adiante. Volto a olhar para o sol. Tão pouco tempo e já conheço a tua linguagem e o teu coração amigo. Agora o amor me encontra. O tempo esconde as feições e toda beleza permeia a minha memória.
     Hoje divido com vocês minha vida, meu futuro e minhas orações. Karine e eu fizemos um desenho lindo, nele tem pedacinhos do sol.
     Recebi um bilhete de Deus. Serei Papai!



quarta-feira, 1 de junho de 2011

Alegria Geral

 Um pouquinho do que foi esse dia para todos nós. Lá na frente vamos olhar essas fotos e vamos lembrar de tudo de bom que foi viver esses momentos.
























Logo abaixo a única cena triste do Alegrai-vos, Tamires numa crise de pelanca e desespero tentou se morrer. Se isso voltar a acontecer vou processar alguns Gênios, por fazerem isso com a garota... Ooops Eita ferro, foi mau de novo. Esse é o Wilson, perdão mas, achei que fosse Tamires. Também com essa de fazerem caricaturas perfeitas... fico confuso, fico confuso!


Pessoal, mandem as fotos que tiraram ou publiquem nos blogs das equipes. Mostre os seus melhores momentos na gincana. Valem as fotos do dia 29 e das visitas às famílias e arrecadação de alimentos, doação de sangue e dos momentos bons das reuniões.

Abraços e mais vida a todos!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Charles Chaplin

Alegrai-vos povo de Deus!

Segue alguns vídeos sobre o nosso personagem desse ano. Espero que todos que o interpretará, façam isso bem feito.
Não há como negar que o cara era um gênio. Fez a diferença e fez bem feito.



Frases de um Gênio



O que falar de uma música como essa?



Sorriam mais!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Grãozinho de Ouro

     Pedi a mim mesmo a permissão para escrever sobre um pedaço de mim. Hoje seriam vinte e dois anos de sorrisos. Jamais esquecerei essa data: 14 de abril. Celebrarei nela alegrias que jamais poderei descrever, não importa o tempo, essa data não morrerá em mim. Um Grãozinho de Ouro, que vale muito mais do que muita riqueza, viverá eternamente em mim, no meu coração. Quisera alguém arrancar esse tesouro que Deus me deu, mas não sabia esse amado de Jesus, que também levou parte de outras vidas. Agora viver se tornou mais difícil, o esforço vai além do que simplesmente respirar. Se pudesse voltar atrás e me fazer herói, entrar na frente, clamar misericórdia, morrer de uma vez... Aliás, morrer de uma vez deve ser bem mais fácil do que morrer em suaves prestações. Mas a vida continua com seus passos errantes. Ah! Se eu pudesse arrancar essa dor, essas lágrimas, esse coração faltando um pedaço eu faria isso.
     Queria ter mais vida para poder dividi-la com o Thiago – Grãozinho de ouro. Não sei se existe uma dor maior do quê a que se sente quando se perde um filho. Antes dele morrer, tive a graça de repetir tudo o que eu sempre falei desde que o conheci, pedi perdão, perdoei e amei, amei muito. Mesmo na dor, pude olhar nos olhos, colocá-lo no colo, tirar aqueles cravos e espinhas persistentes, fazer um cafuné demorado... Aquele sorriso, as bênçãos, os beijos, as lágrimas de alegria... O momento de pai e filho. “Quando você vai voltar? Não vai não, fica aqui comigo”, dizia ele quando estava saindo daquele hospital. A minha vontade era de voltar e o envolve-lo em um demorado abraço.
     Perdi um filho. Não tenho mais aquele abraço, o sorriso, as tardes de vídeo game e pipoca doce. Passeios de bicicleta com o Robério, os segredos, as brincadeiras, as broncas... Não tenho mais. Guardo comigo inúmeras cartas onde ele pedia perdão, falava dos amores, revelava segredos que não tinha coragem de falar. Não tenho coragem de relê-las. Quando não tínhamos nada pra fazer ele simplesmente deitava no meu colo e me pedia que cantasse, sempre eram as mesmas músicas. No final delas ele falava que eu era o pai que ele sempre quis ter desde pequeno. E assim eu me sentia, na condição de pai, e ninguém me convencerá que não era. Mesmo com as falhas eu o guardei e guardarei sempre, se Deus nos construiu assim, não posso lutar contra. Aceito a minha condição de padrinho, de pequeno pai.
     A morte foi uma desculpa besta para me fazer sofrer. Não quero mais passar por isso, ter que morrer aos pedaços não é bom. Como eu desejei está no lugar dele. Como me senti incapaz quando o vi agonizando, quando tive que assinar alguns papeis e ouvi aquele médico falar da gravidade... Meu Deus como eu queria estar no lugar dele – Grãozinho de ouro. Ele me ensinou a ter paciência a tolerar os outros e principalmente a amar. O Thiago foi a minha escola de amor, inúmeras vezes me uni ao céu para pedir por ele. Fez-me entender o dom da intercessão. Conduziu-me a confissão e a comunhão com Cristo. Dessa forma me mostrou que o céu começa aqui. Sei o que é amizade, ter e ser amigo. Entendo também a frase de Santo Agostinho que diz, que “A amizade entre as pessoas torna-se querida pelo vínculo suave que une muitas almas numa só”. Eu amo os meus amigos, já tentei negar isso para mim mesmo, mas, não consigo. Desisti, não posso mais lutar, por mais que doa, eu os amo. E os momentos bons são sempre os primeiros a vir na memória. É nesses corações alheios eu imprimo o bem que existi em mim.
     Agora resta a saudade. A dor da saudade. A certeza que não poderei matá-la, não poderei sufocá-la em meu abraço. A gente só percebe que ama depois que descobre que cuida. O Thiago foi um recado ambulante de Deus, através dele Deus me falou muitas coisas. O tempo passa e a saudade fica. Aconselho que vivam a experiência do amor de verdade com aqueles que os cercam, o amor se concretizará e a superficialidade caíra por terra eternizando os laços. Depois disso as pessoas começam a fazer parte de nós, da nossa história. A saudade é um registro do amor, de pessoas que passeou nos caminhos de sua existência.
     O frio é belo mesmo sem as flores da primavera. E nesses momentos de dor crescemos e aprendemos. O sofrimento é uma oportunidade singular para avaliar e colocar as coisas no seu devido lugar. As explicações cessam quando o amor se torna abundante. É difícil sorrir, manter-se firme, mas tenho que superar e continuar a missão, mesmo incompleto. As coisas que me restam dele sobrevivem num lugar de minha alma que se chama saudade. O que valeu a pena está destinado a viver na eternidade. O tempo não pode apagar. Acho que Deus não se incomodaria se o chamássemos de “Deus de Retorno”, por que é isso que pedimos dele que as coisas que nos provocam saudades retornem a nós. Algumas não retornarão. Às vezes não dá vontade de chorar, dá vontade de voltar, sei que não posso, por isso, peço perdão por está sempre ocupado e não ter visto o tempo passar, isso me fez chorar muito. Nisso tudo vou sendo simples na busca da alegria. Continuo com a minha dor diária. Não esqueço um dia sequer. Sempre que me olho no espelho vejo que estou sem um pedaço de mim. Sem a minha parte mais sorridente, sem meu afilhado. O meu sangue se transforma em lágrimas e vou morrendo como todos os outros. Ainda vai doer um pouco, mas, tudo vai passar, no final só o amor permanece. Respiro melhor agora, olho-me com um olhar de despedida, e recomeço tudo de novo. Seria bem melhor comemorar essa data se ele estivesse conosco, mas não dá. Hoje, além das orações desejo o céu, a graça dos braços do verdadeiro Pai, o Senhor Nosso Deus, que o ama muito mais do que eu o amo. Um pedaço meu também se foi e é quando lembro que também moro nos corações dos amigos, que resolvo abrir as janelas da minha casa, permitindo que façam morada. Thiago, eu sinto falta da tua voz, de ti ouvir numa canção do teu olhar, do teu sorrir.
Parabéns meu filho. Eu te amo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Música para dezembro

Olá pessoal!


Segue o vídeo com a música para dezembro. É tempo de Advento, tempo de espera. O senhor virá. Ele não tardará.


Que santidade de vida - Canção Nova


Entendam e vivam a música. Só Deus basta!


Abraços

Carta aos meus segredos

Por onde começar ainda não sei. Talvez, por causa do cansaço, comece pelo fim. Meu passo se encheu pressa, meu braço se encheu de peso. ...