segunda-feira, 22 de julho de 2013

Carta para mim mesmo V

   
Querido menino,

     Sei que nesses últimos dias que passou, tu viveste angustiado, por conta de algumas coisas e pessoas. Por isso, resolvi mais uma vez, te alertar sobre algumas coisas. Tudo que se passou foi totalmente previsível. Um pouco mais de tempo atrás, já tinha te alertado sobre algumas situações. Nada foi uma surpresa. Já tinha te falado sobre aquilo que vale, e aquilo que não vale a pena. Pois é. Para te lembrar mais uma vez, vamos vestir de palavras alguns quês e porquês. Teve um dia que você decidiu não esperar mais nada de ninguém. Não que essa decisão fosse tomada de um dia para a noite. Levou um tempo. E talvez a culpa nem foi tão sua assim. Chega uma hora que a gente cansa, entende? Chegamos a um ponto em que simplesmente paramos de acreditar. Em coisas e pessoas. Não tenha isso como uma visão derrotista ou de pessimismo. É que a realidade bateu forte na sua cara. Parou de acreditar numa serie de mentiras. Um belo dia você começou a ver as coisas como elas são. Isso é lógica. Talvez o problema estava no seu esquecimento de como as coisas são de verdade. A sua memória estava alienada e só via o lado bom, doce. Mas, não é bem assim. Existe um outro lado também. Lágrimas, tropeços, mágoas, percalços, defeitos... Tudo isso existe. E bobo é quem não encara isso como realidade e de frente. Eu resolvi lutar, encarar. Isso é viver na realidade. Seres humanos sempre querem ter razão. Você mesmo é assim. Mas, nem sempre temos. E as pessoas não são sempre açúcar. E nem devem ser. A memória nos engana toda hora. E você é o tipo de pessoa, que os outros sempre vão lembrar da parte amargosa. Já te falei que as pessoas acreditam na verdade quando a verdade lhe convém. Caso contrário, verdades serão sempre mentiras. E pessoas verdadeiras sempre serão vistas como algozes.
     Um dia tu resolveu não ter mais expectativas. Chegou uma hora que cansou dessa lenga lenga. Esperar as pessoas doeu muito. Agora, o que eu acho bom mesmo, é não esperar mais nada e de ninguém. Porque não agiu assim desde o princípio? Quanto tempo perdido. Quanta coisa não vivida. Planos deixados para o lado. Aquela história de que sonhar junto é melhor procede, sim é verdade. Porém, independe menos de quantidade e mais de qualidade. Algumas pessoas são dispensáveis. E, me arrisco em dizer que a maioria é. Outras pessoas são necessárias. Geralmente estão dentro da família. Os melhores amigos, são os de casa mesmo. Se não é capaz de te entender e aceitar, não merece tanto ibope assim. Conte apenas contigo mesmo. Com suas forças e fraquezas. Sua capacidade e suas limitações. O que vier será acréscimo e menos frustante se não esperar tanto. Pessoas vem e vão. Não se importe se amanhã ou depois, você mude de ideia. Normal. És quem és. Do início ao fim.
     Não se importe se vão te entender ou não. Talvez não queiram. Por falta de vontade, noção, humildade ou tempo. Somos todos, primeiramente, individualistas. Fato. Embora que as palavras sejam sempre 'nós', o 'eu' sempre será prioridade. Se estou bem, então está tudo bem. Assim que funciona. O que aparece além disso, já me soa como publicidade de si mesmo. Sempre foste daqueles que se doa. Tinha expectativas. Quem não tem? Hoje ainda tem as mesmas expectativas. Porém, menos intensas e de menos, bem menos pessoas. Não pode lutar contra isso, é algo que já veio com você do berço. A diferença é que agora resolveu aceitar. Não espere que os outros tomem as mesmas atitudes que você. Isso é frustração certa. O seu jeito de ver muitas coisas mudou, lhe permitindo viver sem ficar se protegendo o tempo inteiro. É mais arriscado. Mas, é mais verdadeiro. E ainda rende muita história para contar. Se tem vida em você, então viva. Não se importe mais com fotografias antigas. Tudo passou. O que foi bom permanecerá na memória. Se todos acharem que desistiu, continue. Simples assim.

Teu amigo,
Eli Negreiros

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