sexta-feira, 12 de julho de 2013

Carta para mim mesmo IV



Amigo Eli,
   
     Para atender o teu próprio pedido, venho aqui novamente. Mais uma vez para escrever, e virei outras tantas vezes para te reler. Gosto de reler o que escreves, embora isso me pareça egocentrismo. Que seja então. Sempre fico sorrindo, tentando achar qual foi a motivação para escrever o texto. Suas letras, por vezes, são cruas. Tua escrita, tuas palavras, tudo muito curioso. Elas contém uma interessante ambição. Fico vendo e revendo. Quantas dúvidas. Já não és mais o que eras e dificilmente voltará a ser. Há cheiros, sorrisos, cores e sabores que te remetem a situações, que sei que se questiona se realmente viveu. Tens se tornado um ser frio. Embora que, ainda continua com um coração grandeAprendeu a ter autocontrole. Me assusta essa tua frieza tão clara, que tens com os afetos tão teus. Talvez sejam as cicatrizes que lhe causaram que te façam lembrar que tudo passa, seja bom ou mau. O fato é que, nesse teu inverno particular, aprendeu a se proteger do frio. Enquanto todos se envolvem com histórias eternas de pessoas passageiras, tu observa envolto à mantas quentinhas, tudo isso regado a doses, também quentes, de realidade. Prefiro ver todo esse joguinho de fora. Estou esperando os meus pés sararem, para voltar a caminhar. Ainda há um longo caminho pela frente. Apesar de toda frieza, continua indomável e duvido que algum dia isso mude. É um ser com personalidade. E seres com personalidade incomodam.
     Como gosto de ti, querido Eli. Palavras serão sempre insuficientes para isso. As vezes elas não me servem de nada. Tudo se transforma em nada quando tento dizer ou demostrar o quanto gosto de ti. Não consigo. Mas, é fato que entre você e eu deve haver um problema. Talvez seja você, talvez seja eu. Tem que haver um culpado. Você sabe quando devo sair para navegar e quando devo ficar atracado ao cais. Sabes me levar aos extremos. Não liga para a minha cara fechada e meus braços cruzados. Fica sorrindo das minhas seriedades. E leva a serio os meus sorrisos. Não me permite mais discutir por futilidades com era acostumado fazer. Tenho duvidas se isso é bom.
     Muitas letras ainda dançam dentro de você. Gotinhas, comparadas ao oceano que te passa diante dos olhos. Embora que seja um turbilhão controlado, ainda segue sem rumo definido. Há uma primavera pela frente, indiferente a toda essa frieza. Teimoso. Ainda mantém o coração quente e uma alma firme. A essa altura da vida, já pode se dar ao luxo de saber quem é cordeiro e quem é lobo, ou não. Pode excluir quem faz ruido e conservar quem conhece teu coração e o cuida como seu. São poucos, acredite. Laga de mão, aqueles que não te dizem mais nada. Talvez valha a pena para outras pessoas, mas não para você. Deus lhe trará outros, para um novo começo. Foca nas dádivas que te motivam e cresce. Não importa quantas pessoas você pode falar que te ama de verdade. Não importa o vácuo que alguns deixaram, os anos de partilha... Não importa o silêncio que hoje habita em você. Isso acontece. Chega um época da vida que é preciso podar as roseiras, separar o joio do trigo e nada te impede de fazer isso. Nada mais importa. Recomece! Eleja prioridades. Acho que é ai que o teu umbigo é posto à prova. Prioridades... deixa elas ecoarem em ti. Se ganhei algo convivendo contigo, foram os pés no chão. E isso não te impede de sonhar. Sei disso porque sonho por você e por mim. Em nós.

Eli Negreiros

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