domingo, 31 de março de 2013

Culpa e perdão


     Vamos lá, encare a realidade. Coloque os pingos nos is. Se você não está feliz, o problema é seu. Exclusivamente seu. O problema não é meu, não é dele, nem do destino. Da novela das oito ou do governo. É seu. A pior e mais covarde coisa mundo é distribuir culpas, tornando-se vítima do próprio sofrimento. Mas não culpo ninguém por isso. Fomos criados assim. Jogamos a responsabilidade de ser feliz nas mãos dos outros. E não adianta dizer que não. Somos todos acorrentados na autopiedade, nessa vidinha repetida que nos prende. Da qual não abrimos mão tão facilmente. Assumir a culpa pelos seus atos é diferente de sentir pena de você mesmo.
     Se a vida é sua, a culpa de você estar aí, inquieto, cheio de raiva no coração e decepcionado também é sua. Não diga que é das pessoas que, sem explicação nenhuma se voltaram contra você. Sinto te informar que não é. A culpa é sua, sim. Aceite. Sua culpa em sua máxima verdade. Tome-a nos braços. Você é culpado pela sua felicidade e pela sua infelicidade. Por tudo o que você faz e recebe da vida. Decorou? O que você plantou, logo logo estará servido na sua mesa. É difícil, mas é isso mesmo que acontece. E eu digo isso porque você e eu precisamos acordar. A vida não contem somente sonhos. Ela está cheia de realidades.
     Não podemos dizer que uma pessoa nos decepcionou, mesmo sabendo que isso pode acontecer. Não temos o direito de achar que nosso coração tem milhares de cicatrizes, porque o amor é uma navalha afiada. Vamos jogar aberto. A culpa é sua. Foi você que deu o seu coração. Foi você que inventou tudo aí no peito. Criou expectativas. Então, com sua licença. A culpa é sua sim. Sua e de mais ninguém. Sua culpa que te faz olhar a vida, e se sentir personagem principal de uma página triste. Que pode ser boa também. Porque te faz exercitar um sentimento maior: o perdão.
     Se pode escolher um verbo, escolha perdoar. Assim, conjugado na primeira pessoa: eu me perdoo. Com isso, o perdão aos outros virá mais facilmente. Todo mundo é limitado, e sujeito ao erro, mas isso é outra questão. Temos que perdoar a nós mesmos. A nós, que nos ferramos. Nos iludimos. Nos refazemos. Nos encantamos. Porque a culpa é nossa. Nossa e das nossas expectativas e imaginações malucas. Então, com sua licença, deixe você e sua culpa e os outros em paz. Delicie-se com perdão por você mesmo. Pare de culpar a vida e as pessoas. Pare de ter autopiedade. Se assuma. Se aceite. Se lasque. Se estrepe. Se coise. Mas se perdoe. Entender e aceitar nossas fraquezas é o grande barato da vida. É possível ser e viver melhor com coisas simples.


Eli Negreiros

terça-feira, 19 de março de 2013

O texto que não escrevi

     Pensei em escrever um texto grande. Grande não, imenso. Muito maior que as trinta linhas das redações. Os verbos no passado deveriam sempre dá inicio aos parágrafos, que por sua vez, sempre começariam com aquela margem de um dedo. Letra caprichada, a melhor possível. Sabe aquela em que demoramos para desenhar as maiúsculas? Ela mesmo. O texto não se prenderia ao passado. Ele divagaria, em seus meandros, para o presente. E ainda sem rumo, acampava no futuro. Cada momento do texto seria minuciosamente descrito. As palavras desenhariam muitas coisas boas e bonitas. A intenção era juntar cada letrinha, e abusar de um certo narcisismo português. Iria caracterizar meu texto com o melhor da língua. Tinha que ser digno da Academia Brasileira de Letras. Quem o lesse, suspiraria de emoção. Me daria muito orgulho.
     Porém, ele não saiu. Não consegui pensar muito. Suspirava, mas por falta de inspiração. Um branco invadiu a minha mente. Sabe aquele branco da redação da escola ou do concurso? Ele mesmo. Agora só escrevia linhas longas, que dificultava a compreensão. Não dava vontade de ler, reler ou decorar. Antes, queria que o texto dissesse tudo, e agora ela não diz nada. Os instantes que pensei se tornaram incompreensíveis do começo ao fim. Tudo saiu da ordem lógica. Delonguei as palavras, perdi a objetividade dos verbos e a precisão dos tempos conjugáveis. Minhas idéias foram transcritas pra o mandarim. Lê-las e compreendê-las era impossível.
     Foi assim que aconteceu. Fiz um texto vazio, onde as palavras odiavam se unirem. Me trouxe mais dúvidas do que certezas. Um texto gélido. Nem razoável era. Não fez o coração bater mais forte, não causou calafrios ou arrepios. Sufocou ao invés de fazer suspirar. Me fez perder a sequência das letras. Perdi o fio da meada. Emudeci os sons. Escamei os olhos em lágimas não mais plausíveis, indignas e de fracasso. O texto não teve fim, por que não teve um começo. As linhas não se desenrolaram, não se encaixavam. Não especifiquei nada. Era um corpo desconjuntado e mau formado. Até esbocei um título. Também ficou péssimo. Tentei uma introdução ao tema e nada. Os meios eram injustificáveis. Os fins não se findavam ou se fundamentavam em algo. Quebrei muito a ponta do lápis, rasurei folhas e folhas. Horas e horas no vazio. Minha mente me deixou no vácuo. Rasguei todos os rascunhos, não passei nada a limpo. O texto não foi escrito, nem lido. Embora que a folha destinada a ele ainda está no meu caderno. Toda branca!

Eli Negreiros

quinta-feira, 14 de março de 2013

Meninos choram

     É impossível encontrar alguém nesse mundo, que nunca chorou. Por mais gelada que a pessoa possa ser, um dia ela irá chorar. Momentos alegres e felizes, tristes e chorosos são frequentes na vida. Pensando assim, é ridículo acreditar que os meninos não choram. Independente do sexo, todos nós choramos. Não tem nada a ver com a masculinidade. Podemos até ser resistentes e evitar o choro em público, por orgulho ou por vergonha, mas choramos sim. Para qualquer ser humano é difícil conter a dor dentro do peito. Algumas vezes a lágrima tem que escapar sobre a face. O choro é sinal de vida. Nascemos chorando.
     Mesmo aparentando força, os meninos convivem de perto com a fraqueza e a fragilidade. O choro é uma maneira de aliviar, de se conformar com o que não conseguimos. O choro liberta. Quem assume as lágrimas é corajoso e não sente vergonha dos seus sentimentos. Quem chora demonstra fraqueza, e isso é tipico do nosso humano. Um homem pode ser corajoso sem deixar de ser sentimental. Perdemos muito tempo escondendo nossas emoções, o que nos mata por dentro. Esconder os sentimentos é um claro indicio de fraqueza emocional. Os homens têm sentimentos sim, são fracos, demasiadamente inseguros.
     É verdade que os meninos choram menos que as meninas. Eles só choram em público quando a emoção transborda, por amor, compaixão, raiva ou mágoa. Vai de pessoa a pessoa. A maioria das vezes que choram é por dentro, o que é muito mais doloroso.
     Choramos pela vida que encontra a morte, da qual não nos acostumamos, são lágrimas que saem do coração. Um silêncio que nos corta, onde a palavra não ameniza a certeza de que a pessoa morta jamais poderá chorar ou sorrir contigo. Homens seguram nas lágrimas um temporal que não se acalma, fica ali, agitando a alma, apontando-os como réus. São lágrimas de quem fica para trás. Meninos choram com canções em notas tristes, porque sabem que músicas assim, tão verdadeiras, jamais passam despercebidas pelo coração. Choram de saudades, por lembranças de começos e fins. Pela certeza da fé. Os fortes também choram, os corajosos, os heróis, os guerreiros, os pacatos, os ariscos, os néscios, os sábios... todos derramam lágrimas. Meninos são sentimentais, isso é comum. Chorar é um alivio. Quem não se sentiu melhor depois de chorar bastante? É um calmante.
     Têm pessoas que dizem que não aguentam ver homens chorando. Acho que, por ser essa hora, a que o homem se mostra mais sensível. O choro é uma abertura de portas, uma visita ao exterior daquilo que só permanecia no intimo do ser. Poderíamos reparar mais em nosso próprio aspecto. Podemos até preferir chorar escondidos, afinal, somos fechados e egoístas de emoção, mas jamais podemos deixar de chorar. O choro refaz as pessoas. Vez ou outra a gente veste os olhos d'água, simplifica a vida, e apenas quer viver feliz, sem querer mais nada além disso, mesmo quando não conseguimos tal objetivo. Está tudo bem se os meninos choram. No fundo é a comemoração pessoal de uma vitória solitária: o choro.


Eli Negreiros

terça-feira, 5 de março de 2013

O medo

Se posso falar algo sobre o medo, eu diria que ele é o único adversário efetivo da vida. O medo pode derrotar o homem. É um oponente traiçoeiro e esperto. Não se incomoda em não ter decência, não respeita leis, não age com piedade. Se tem uma coisa que ele acha com facilidade é o nosso ponto fraco. Sempre começa pela mente. Num momento estamos calmos confiantes, contentes. Daí, o medo, mascarado como uma ligeira dúvida, penetra a nossa mente para espioná-la. Com a dúvida deixamos de acreditar, ficamos ansiosos e lutamos contra a razão. Vem a fraqueza e a hesitação e a ansiedade se transforma em pavor. Acho que é mais ou menos isso.
O medo, mantem-se concentrado em nosso corpo, que a essa altura já sabe que algo terrível vai acontecer. A boca fica seca. O tremor é inevitável. Ficamos surdos. Faltam as pernas, ficam bambas, o coração parece diminuir, sem falar da sensação de que vamos urinar mesmo sem querer. Tenso. A nossa consciência não se dá conta da tragédia que isso causa. Cada parte de nós, do seu jeito, entra em colapso. Somente a visão permanece imaculada. Os olhos dão a devida atenção ao medo. Até parecem aliados, amigos de infância. É impressionante como tudo toma proporções gigantescas quando estamos com medo.
     As decisões precipitadas são tomadas de imediato. Abrimos mão da esperança e da confiança, que são as únicas aliadas que nos restam. Pronto! Terminamos por derrotar a nós mesmos. Somos vencidos pelo medo, que não passa de uma impressão. É verdade que chega a ser ridículo, mas é isso que acontece, não ha como negar. Agimos de modo instintivo, e expressamos o medo de uma forma disfarçada, como se estivesse sentindo outra emoção. Usamos de máscaras como: a irritação, o desespero, a solidão, a paralisia.
Não dá para expressar assim facilmente com as palavras. O medo se instala em nossa memória como um parasita. Estraga tudo, até mesmo as palavras. Falo do medo de verdade, aquele que desestrutura nossos alicerces. Expressá-lo exige esforço. Torná-lo claro para nós é questão de sobrevivência. O nosso medo tem que ser conhecido por nós mesmos, só assim saberemos combatê-lo. Se não o conhecemos abrimos a guarda e sofremos novos ataque, pois, nunca enfrentaremos pra valer o adversário que nos derrotou. É preciso conhecer o inimigo a ser derrotado. Conviver com ele não é fácil. Mas, nesse caso é preciso correr esse risco. De uma certa maneira é bom sentir medo. Ele mostra onde estão as nossas limitações. Não há pessoa que não tenha medo, todos temos medo de algo na vida. Podemos até perder alguns medos, mas sempre surgirão outros. Faz parte do nosso crescer. O medo é texto que preenche a vida. Admita ser medroso! E quem não é? Ter medo não é covardia. Só os corajosos preferem não lutar. Ter medo é o nosso próprio direito de ir e vir, ou, de não ir e não vir. A escolha é sempre nossa.

Eli Negreiros

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O tempo ensina

     As vezes eu não sei falar, principalmente aquelas palavras bonitas e sábias que são agradáveis aos ouvidos. Não sei definir o que sinto, não levo jeito para isso tudo que me resume, me prende em silêncio, e, também me permite voar. Gosto do simples. Sem ele me disfarço, me enfeito, uso máscaras, falo o que não quero, me valio de palavras que não penso e que se perdem sem proveito algum. Agora mesmo, quero tudo simples. Coração a coração, voz a ouvido, ouvido a voz, ar aos pulmões, água ao corpo, olhos aos olhos, Deus e eu, eu e Deus... Simples assim. Há tempos vinha enfeitando, disfarçando, manipulando minha voz. Parei com isso. Agora quando falar, quero usar o coração. Quero pedir perdão quando errar. Tudo muito simples. Não sei se as minhas orações bonitas chegam ao céu, podem até chegar, mas as simples me soam mais verdadeiras. Chega um tempo na vida que apenas temos que parar, deixar calar as palavras e deixar falar o silêncio. Quando eu chorar com uma canção, serei o primeiro a me acolher, o primeiro a não me abandonar quando o coração doer, me acalmar quando a confusão me agitar. Me agradecer por me amar todos os dias.
     Sou igual a todo mundo. Nem tão louco, nem tão estranho, nem tão mais, nem tão menos. Igual. Sei o que é o amor, por amar, não por me falarem. Tenho opinião. Quem não tem opinião corre um grande risco de viver complexado. Todos nós deveríamos ser mais fortes, sem esquecer da nossa fraqueza, ser irmão, filho, mais família, namorado, mais bagunceiro, mais errante e bem mais amigo.
     Vou me encontrando a cada dia, não tenho bloqueios. Sou atrapalhado, é bem verdade, não fujo disso, mas quem não é? Se fico frente a frente comigo mesmo, não sei mentir, não me disfarço, me olho nos olhos, tento me aproximar, retornar à aquilo que sou. Pouco a pouco eu consigo. Bem ou mal, sou a melhor pessoa para falar de mim. Ao me enxergar, me derramo, sou tudo em mim. Lembro da primeira vez que me vi... É bom se ver com os olhos que não são dos outros, que não tem rótulos, são seus. A cena muda diante de mim mesmo. Me sinto, me chamo, vou além, sempre irei. Ao levantar, não me levanto invisível, imperceptível, cego, surdo. Me levanto inteiro e humano. Deixo vestígios da minha batalhar gritar, sem que ninguém ouça ou veja, e caminho. Mesmo sendo fraco, sigo aprendendo. As vezes me olho e digo: não me leve a mal, mas hoje não. Normal.
     As pessoas não querem nos enxergar, nos desprezam naturalmente. Elas agem por interesse, você e eu somos assim. Um dia nos mostraremos inteiros, nem que seja no fim. Juramos amor eterno e esquecemos logo em seguida. Viramos as costas, zombamos, somos hipócritas... tudo naturalmente. Apagamos o nosso próprio brilho, ouvimos a voz que nos condena, então, nossos erros nos envergonham, perdemos a força de lutar, caminhamos em vão. Demoramos mais que o normal para admitir um erro. O orgulho nos impede de andar, nos deixa cabisbaixo.
     Sou um jovem dedicado. Minha história ainda não tem um final, por que minha vida precisa de mais texto e qualquer pretexto para cantar. Vou cantando a vida. Onde tem o mal, ali eu quero o bem. Levou um tempo até perceber que não somos absolutos, que estamos sujeitos a errar. Tive que aprender consertando meus erros e não com os meus erros. Há uma diferença nisso.
     Preciso conhecer para poder amar melhor. Antes não sabia disso, o tempo me ensinou. O aprendizado é constante. Todo dia tenho que me recomeçar. Entendo que para curar é preciso doer. Não posso fazer nada quanto a isso. Paro em algumas portas, não posso seguir em frente, não sou tão perfeito, não sou tão aceito. Somente eu posso me esperar, dentro ou fora. Eu me mereço bem, ou não tão bem assim. Eu me conforto, me alcanço, me amo sem julgamento. As vezes a canção que sai de mim, não é de amor, não é tão afinada, tão bela. É destoante, rouca, desafinada, contém raiva, mas o que posso fazer? Esse sou eu, o que dá pra ser. Faço chorar meu coração, tento gritar, mas não consigo. Se fosse mais fácil, talvez não fosse o melhor. Desconfio. Mas se posso pedir algo a Deus, então que seja algo bom. Ele sabe quem eu sou. Então, peço que não limite a minha força, que faça eu perceber minha fraqueza, e, me mantenha com o pé no chão. Permita que eu seja eu, assim como fui criado, e só.

Eli Negreiros

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O amor é livre

     A todo ser humano é confiado a possibilidade de amar. Todo mundo é capaz de amar algo na vida. Coisas boas ou ruins, construtivas ou destrutivas, todos amam. Alguns amores aprisionam, outros tornam livres o ser amado e o ser amante. Esse ultimo é o que chamamos de amor verdadeiro. O amor é em si mesmo o seu próprio bem, mas, se acontecer de maneira desordenada pode se tornar prejudicial. Decidir sempre pelo bem, essa é uma capacidade do amor, mesmo quando isso não for tão agradável assim. O afeto em excesso sufoca e não atrai respeito. Quando o amor é maduro, ele entende que é preciso se doar aos poucos.
     Para amar bem é preciso começar em si. Se não somos capazes de nos respeitar e compreender nossos próprios limites, tão pouco compreenderemos e respeitaremos o outro. Somos todos propensos a conceituar as pessoas antes de entender os espaços alheios. Em determinado ponto da vida o coração  quer apenas descansar, mergulhar no silêncio, mas isso não o torna preso. Pelo contrário, é justamente na liberdade que o amor se faz verdadeiro, quando entendemos isso, descobrimos o que é o amor. Quando sabemos quem é a pessoa amada e conhecemos seus limites e mesmo assim continuamos amando. Quem ama de verdade, dá à pessoa o direito de ser ela mesma, de errar, acertar, ser fraca, ser livre.
     Não podemos abrir mão de quem somos para agradar aos outros. Isso seria alienação. O amor torna-se concreto quando nos doamos aos outros e somos capazes de definir nossa identidade. Temos que assumir aquilo que gostamos e aquilo que não gostamos, e assim , amar com qualidade. Se não nos assumimos, em personalidade, dignidade, força e fraqueza, estaremos sujeitos a representar para sermos aceitos. As pessoas que nos amam, fazem isso, por que nos conhecem sem máscaras. O amor que não nos torna livres é egoísta, tenta se afirmar às custas de outro coração. Esse é um erro, o coração da outra pessoa pode até ser "nosso", mas não deixa de ser dela. Devemos promover o ser amado e não aprisioná-lo.
     O amor perfeito nos impulsiona para frente e não reduz nossa capacidade de relacionamento com o meio que nos cerca. Isso é ciúmes, ou seja, prisão, egoísmo. Não podemos confundir o conceito de amor com o de posse. Quando o amor faz morada traz com ele a liberdade. Se nos fechamos no egoísmo, tiramos os sabores da relação amorosa, seja ela casal, amigo, familiar ou qualquer outro tipo de amor. Não vamos cair na besteira de achar que é fácil, pois não é, dá trabalho. Quando conseguimos amar dessa forma realizamos o que somos. Ao se chegar ao sabor ideal, logo se percebe o quanto nossa vida fica melhor. Todos somos capazes de amar e ser amado.
     Temos que ter disposição para o amor. Tal disposição, acarreta perdas, escolhas, podas de tudo que se coloca como excesso em nossa vida. Amar é um dom a ser trabalhado em nós. A sua plenitude é adquirida no esforço e na aceitação do outro assim como ele é. Só amamos verdadeiramente quando aceitamos as diferenças e não quando encontramos semelhanças. É bom saber que somos todos diferentes uns dos outros e mesmo assim somos capazes de nos amar.

Eli Negreiros

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Aparências


     Em certas ocasiões, julgamos os outros apenas pela aparência. Definimos e conceituamos a realidade a partir daquilo que nos sinaliza a aparência. Estacionamos assim, no exterior, e não conhecemos melhor as pessoas. Julgar pelas aparências é cometer injustiça. A maturidade vai além das simpatias e antipatias. Essas não podem ser a força que se impõem como parâmetro para decisões que envolvam outas pessoas. Querendo ou não, nós absorvemos a vida dos outros. E a forma com que absorvemos é que acaba sendo certo ou errada.
     Não temos o direito de aprisionar ninguém em rótulos que as primeiras impressões nos deixam. Todo mundo é sempre mais do que aquilo que imaginamos. Estamos propensos a ter sempre o pé atrás e nunca acreditar em ninguém. A sociedade nos ensina a desconfiar de tudo e de todos, e isso não é ruim. Porém, precisamos acreditar nas pessoas, sem querer que elas sejam o que queremos. Todo mundo quer acertar na vida, cremos nisso. Ninguém se autodenomina infeliz por assim querer. Enxergar além das aparências é acreditar que todo mundo quer ser feliz, mesmo se não houver êxito. Nossa visão tem que focar o que a pessoa tem de bom e não aquilo que acreditamos que seja bom, um coisa é diferente da outra. Somos únicos e não cópias.
     É tão bom quando somos acreditados. Mesmo quando as primeiras impressões não agradam tanto assim. É bom quando enxergamos o que as pessoas tem no coração. Quando damos chance para os outros tentarem, mesmo errando, nos conquistar de uma forma que não é a nossa, e sim, a dele. Nosso olhar é precário e incompreensivo. Por isso mesmo, temos a obrigação de dar uma chance aos outros e a nós mesmo de acontecermos, mesmo sabendo realmente quem somos. Um bom começo seria olhar primeiro para nós. Quando percebermos o quanto em nós precisa ser mudado, daí então estaremos bem aptos a ajudar os outros.


Eli Negreiros

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Alegria roubada


     

Dizem que a alegria é para ser compartilhada. Não dá para guardar pra si. Será mesmo? Tudo depende do outro. Às vezes roubamos, sem pudores, a alegria dos outros e de nós mesmo. Deixamos nossa velha experiência roubar nossa alegria de infância. É bem verdade que o tempo passa rápido, nos levando a exaustão. Mas, se fizéssemos o contrário, se roubássemos, agora, da nossa alegria de criança... A infância é uma maravilha. É um privilégio desfrutá-la. Quem não aproveita a alegria oferecida, com o tempo se torna parasita da alegria alheia.
     Somos roubados. Tiram nossa alegria. A vida muda num ritmo acelerado. Antes liam-se livros, escrevia-se diários e cartas... hoje não temos tempo. Nossa alma não encontra espaço para expor-se, temos pressa para tudo e deixamos de nos conhecer, deixamos de nos perceber. Vivemos numa época a jato. Se fosse possível rodaríamos os ponteiros das horas. É bem verdade que encontramos as pessoas mais facilmente, mas será de fato um encontro onde enriquecemos nossa humanidade? Não. Nunca estivemos mais ausentes do que agora.
     A pressa nos rouba o tempo e nos coloca em outras pressas.Contudo, nossa vida não depende de tempo. Depende da nossa atitude perante ao tempo e muita vontade de viver. A vida se torna vazia quando não se tem tempo para ser feliz. Temos tempo de folga, mas somos avarentos de folgas. Ser feliz leva um tempo. Quem não se dispõe a ser feliz, perde a sintonia com o outro e tudo fica mais descompassado, e, toda a facilidade de achar as pessoas torna-se vã, quando não acertamos o passo. Haveremos de inventar outras alegrias, outros laços. Recomeçamos, reencontramos novos ritmos, criamos novos passos, temos idéias... Porém, pouco adiantará se estivermos sozinhos. Não nascemos para a solidão, precisamos ser povoados de presenças. E essas presenças têm que acompanhar, no tempo e espaço, o mesmo desejo de alegria.
     A alegria anda de mãos dadas com a idiotice. Quando olhamos para alguém que tem um comportamento infantil, achamos tal pessoa idiota. Mas, quando olhamos para um criança que faz o mesmo, percebemos a felicidade, a simplicidade da alegria. As crianças têm tempo de sobra. Se queremos ser feliz para sempre, a nossa infância deve ser vivida até a morte. Se o que nos faz feliz não tiver ligação alguma com a criança que somos, então tem algo errado. Tem que ver isso aí, urgente. Fazer traquinagem, brincar de algo que não esteja ligado na tomada, banhar na chuva, contar uma piada besta, e rir dessa piada (que é o melhor), inventar histórias, gargalhar... tudo isso é ser idiota e nos faz muito feliz. Devemos desacelerar nosso crescimento.
     Muita gente perde tempo sendo adulto e triste, e não tem tempo para ser criança e feliz. Um dia Jesus disse: "Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos Céus é para aqueles que se lhes assemelham" (Mt 19-14). A partir de hoje, começo a imaginar o céu com a alma de criança. Nele, há muita gente brincando e encontrando a felicidade na simplicidade das coisas. Uma grande roda e vozes entoando cantigas da infância. Todo mundo pode ser meio bobo e nem por isso será vitima de bullying. Terá muitos doces e nenhum dentista. Respostas para todas as perguntas, descobrimento. Uma bola de meia... guerra de travesseiro antes de dormir... Sempre imaginamos um céu.
     Roubar a alegria não é o mesmo que roubar dinheiro. O material é por vezes e continuamente artificial. Num dia a gente sonha, noutro a gente acorda. Roubamo-nos. Crescemos, e assim, nos tornamos ladrões dos nossos sonhos e dos sonhos dos outros. Ser feliz é sonhar o céu, é ser autor da própria história e co-autor da história dos outros, ter dúvidas, insegurança, medo. É sentir-se possível mesmo na adversidade, na incompreensão. Ser feliz é ser humano. Quem rouba nossa alegria, rouba nossa humanidade. Tal atitude por vezes é irreversível, queria muito que devolvessem meus sonhos roubados, minhas alegrias afanadas, minha infância surrupiada, meu eu doado.


Eli Negreiros

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Nossa Catequese


     Por precisar de didática, impor respeito e ter postura o catequista tem um pouco de professor, mas não é. Nem os catequizandos são alunos. Somos confundidos como tais, ensinamos, ouvimos, aconselhamos, damos bronca, somos psicólogos, babás, enfermeiros... Mas na nossa essência existe a vocação e a missão. Somos chamados por Deus. E para responder a esse chamado e viver essa missão precisamos correr atrás, suar a camisa, perguntar observar tudo, estudar cada detalhe e pensar muito para chegar numa conclusão certa, onde a felicidade se aproxima da plenitude. Onde aprendemos, não com os erros, mas com o conserto desses erros.
     É isso... nossa missão é exatamente correr atrás de aprender para explicar, de forma simples, aquilo que é realmente necessário. Aprender sobre Jesus, a doutrina que acreditamos, o que diz cada mandamento e sacramento. Será que acreditamos naquilo que pregamos? O catequizando percebe quando falamos com convicção ou falamos por falar. O catequista precisar transmitir nos olhos a alegria ao falar de Jesus. Se ele não faz isso, dificilmente cumprirá bem o seu papel. Jogos, dinâmicas, brincadeiras, músicas, cartazes pouco adiantarão se em ti, no teu sorriso e olhar e em tudo aquilo que tu espera, não mostrarem de forma clara o que está na tua alma. O importante para um bom catequista é acreditar em quem ele anuncia. Apresente o Cristo que você vive e ama.
     Se precisa aprender mais para catequizar melhor, corre atrás, leia, pesquise, pergunte, tire dúvidas, seja catequizado para catequizar. Não creia que tudo vai cair do céu, não fique no comodismo. Busque espiritualidade e conhecimento, assim tu vai se moldando num bom catequista. Não dá para ir empurrando com a barriga, nossa missão não deve ser tratada como brincadeira. A catequese transforma pessoas e consequentemente a sociedade. Formar cristãos de verdade, cristãos que sabem defender as nossas verdades de fé e têm consciência crítica dos desafios apresentados pelo mundo, esse é o nosso objetivo.
     Não é fácil, eu sei. Dá vontade de jogar tudo pro ar. Mas, seria mais desanimador se a nossa confiança não estivesse em Deus e não tivéssemos consciência da vocação. Antes de qualquer ação na caminhada, temos que responder a três perguntas: quero? devo? posso? Nós marcamos a vida das pessoas. Então prosseguimos, reorganizando novas turmas e recomeçando a cada encontro. Isso é dom de Deus.


Eli Negreiros

sábado, 8 de setembro de 2012

O Bobo a chuva e os detalhes

     Uma pessoa boba treina para ser boba. Só um bobo sairia na chuva para observar as poças d'água encherem a cada gota. Os espertos fazem tudo para se protegerem da chuva. o bobo é mais interessado nas poças do que na chuva. Seu interesse maior é reviver a vida ao desenhar, escrever e observar os detalhes corriqueiros e imperceptíveis.
     Quero ser um pouco mais bobo. Dentro de mim existe alguém vagaroso que precisa de tempo. Esse alguém quer um lugar para ficar; quer olhar as poças d'água na chuva - sem proteção alguma - e quero sentir as gotas molhando minha cabeça. Um menino bobo que quer se dedicar mais aos detalhes, por mais bobos que sejam. Quando olho os detalhes, olho o mundo de frente de coração aberto. Pouco a pouco registro as características do ambiente e das pessoas, e,  mais tarde, já sozinho, lembro dos momentos, dos cheiros, gostos, sensações. Passo a ser o portador dos detalhes de histórias que fazem toda a diferença em mim. Não é somente uma chuva que cai, são paisagens que se tornam fotografias em minha mente e ficam gravadas na memória. É meio bobo, mas acalma o coração e a mente, ajuda a manter a flexibilidade para eu ver aquelas rígidas distinções entre a amizade e o interesse das pessoas, o valor bom e o valor não tão bom assim. Com o tempo minha mente vai largando o artificial e agarrando o natural, aquilo que realmente importa e não deixa de ser verdade. Tenho para mim que para os outros, somos reflexos das primeiras impressões. Não enxergamos os detalhes, que são os primeiros que estão por trás de tudo. Observar melhor é dissolver todas as fronteiras, como se tivesse fazendo um esforço para olhar através  da chuva. Um bobo pode ir a qualquer lugar. Não importa se sabe ou se tem que provar alguma coisa. Um bobo olha para as coisas como se fosse sempre a primeira vez. Quando chega a hora de ser bobo, eu sou, e faço dessa experiência algo fascinante.

O Bobo!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Lá vem O dia

Olá povo,
     Com a proximidade da nossa gincana, lembro às equipes de alguns por menores que precisam ser vistos, acertados ou feitos. Primeiro, as equipes que estão com as rifas, por favor, entreguem-me até quarta-feira dia 23 de maio. Não atrasem, senão teremos que descreditar as equipes que não devolverem as rifas. Se não foram vendidos todos os nomes, colocaremos à disposição das equipes que quiserem comprar no dia da gincana.
     Quarta-feira também é o prazo para as equipes repassarem o dinheiro e as fichas de inscrições. Quem já entregou parabéns e obrigado. Já temos o resultado das fotos, os sorrisos já foram lançados na planilha e divulgaremos a classificação no domingo.
     Peço gentilmente a todos, que entreguem os alimentos arrecadados, atestados de doação de sangue e todas as outras pendências até quarta-feira dia 23. A semana vai ser de muita correria e não teremos tempo para quase nada. Por favor, ajudem-nos.
     Por falar em falta de tempo, daremos mais uma oportunidade para as equipes conseguirem alguns sorrisos extras. A Arca de Noé precisa vender algumas camisetas dessa edição da gincana. Como sabemos, elas foram feitas às pressas e não temos pessoa suficiente para revendê-las. Daí, daremos sorrisos, para as Chiquinhas das equipes que venderem as camisetas. Cada camiseta vendida valerá 25 sorrisos. Os tamanhos que ainda temos disponíveis são os seguintes: Baby loock P – 01, Baby loock M – 04, Baby loock G 01, Normal P -08 e Normal G – 03. Cada camiseta custa R$ 20,00. Não é obrigatória a participação. Quem conseguir vender alguma, por favor, entre em contato, os primeiros que fizerem isso terão prioridade. Desde já obrigado.
     Líderes de equipes lindos do meu coração, vocês precisam me mandar o voto da Equipe Feliz. Lembrando que o voto de todos vocês tem que ser para apenas para uma equipe. Águias mandem o voto de vocês. Até a quarta-feira, por misericórdia. A enquete ainda está valendo hein.
Boa Sorte a todos
A semana vai ser de muita ansiedade.

Abraço!

Carta aos meus segredos

Por onde começar ainda não sei. Talvez, por causa do cansaço, comece pelo fim. Meu passo se encheu pressa, meu braço se encheu de peso. ...